Síndrome pós-finasterida (PFS)
- Uma doença multissistêmica causada pela finasterida e por remédios da mesma classe. Pode afetar a função sexual, a saúde mental e a cognição, e desgastar o corpo masculino.
- É mais do que efeitos colaterais que persistem. A PFS pode começar depois que você para de tomar o remédio, e pode ser permanente.
- Não é reconhecida como doença pelas agências reguladoras. Sem código de diagnóstico próprio, sem exame, sem tratamento aprovado.
A síndrome pós-finasterida na CBC News
Uma investigação da Radio-Canada exibida no programa The National, da CBC, em março de 2025 (5 minutos, em inglês).
- Milhões de homens tomaram finasterida (Propecia) para diminuir a queda de cabelo.
- Especialistas alertam para efeitos colaterais raros, mas capazes de mudar uma vida, que persistem depois da interrupção.
- A reportagem examina acusações de que a Merck, empresa que desenvolveu o remédio, minimizou os riscos.
- A reportagem fala sobre suicídio. Para buscar apoio, ligue para o CVV no 188 ou acesse cvv.org.br.
Sintomas da síndrome pós-finasterida
A PFS pode afetar a função sexual, a saúde mental, a cognição e o corpo masculino. Se você tem pensamentos suicidas, o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.
Sexuais
5- Perda do desejo sexual (libido)
- Disfunção erétil (dificuldade de ter ou manter uma ereção)
- Menos sensibilidade nos genitais
- Orgasmos mais fracos ou com menos prazer
- Problemas de ejaculação, incluindo menos sêmen
Mente e humor
5- Depressão (humor deprimido que não melhora)
- Ansiedade
- Névoa mental (dificuldade de concentração e comprometimento cognitivo)
- Dificuldade para dormir (insônia)
- Pensamentos suicidas
Corpo
5- Aumento das mamas ou dor ao toque (ginecomastia)
- Cãibras, contrações involuntárias ou fraqueza nos músculos
- Cansaço que não passa (fadiga crônica)
- Pele seca ou mais fina
- Dor nas articulações
Histórias de pacientes
Três homens contam o que aconteceu, em entrevistas ao canal Moral Medicine. Cada relato mostra a experiência de uma pessoa, não com que frequência a PFS acontece.
Dois anos depois, nas palavras dele
Ele parou de tomar finasterida esperando que os sintomas neurológicos sumissem. Em vez disso, descreve um crash (uma piora súbita e intensa) e sintomas novos, mais de dois anos depois.
Sam
Sam descreve os efeitos colaterais que teve enquanto tomava finasterida para queda de cabelo e os que continuaram depois que parou.
Ryan
Ryan fala sobre tomar finasterida para queda de cabelo e sobre os efeitos colaterais que ficaram com ele depois que parou.
Principais fatos sobre a PFS
- 1
Os critérios diagnósticos foram publicados em 2022 (em inglês). Eles se concentram nos sintomas sexuais; muitas pessoas também relatam mudanças no humor, na cognição e no corpo.
- 2
A finasterida bloqueia a 5-alfa-redutase no corpo todo, inclusive no cérebro. Essa enzima produz a DHT e também neuroesteroides que agem no humor e nos nervos.
- 3
As bulas do Reino Unido (em inglês) e dos EUA (em inglês) citam problemas sexuais que continuaram depois da interrupção. Em 2024, a agência britânica de medicamentos (MHRA) concluiu que os riscos “não são bem conhecidos por quem receita e pelos pacientes” (em inglês).
- 4
Não existe exame, e não se sabe com que frequência a PFS acontece: a bula britânica diz que essa frequência “não pode ser determinada” (em inglês).
- 5
Não existe tratamento aprovado, e a recuperação nunca foi estudada de forma adequada. A PFS “pode permanecer por meses, anos ou indefinidamente” (em inglês).
Se você acha que tem PFS
Não pare nem mude nenhum remédio por causa do que você leu nesta página. A MHRA, agência reguladora britânica, faz uma exceção: se você toma finasterida 1 mg e passa a ter depressão ou pensamentos suicidas, ela diz para parar de tomar (em inglês) e procurar seu médico ou sua médica o quanto antes.
Converse com seu médico ou sua médica
Mesmo que você tenha parado há anos. Veja o que fazer se você acha que tem PFS.
Notifique
No Brasil, notifique à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pelo VigiMed; no Reino Unido, use o sistema Yellow Card (em inglês) e, nos EUA, o MedWatch (em inglês). Escreva o termo “Síndrome pós-inibidor da 5-alfa-redutase”; se o formulário for em inglês, use “Post 5-alpha-reductase inhibitor syndrome” (código MedDRA 10082430). Você não precisa comprovar nada. Outros países.
Cadastre-se no registro
Fazer seu cadastro no registro de pacientes do SIDEfxHUB leva cerca de três minutos, e você não precisa de diagnóstico.
Encontre outras pessoas
Entre em um dos nossos grupos de apoio privados no WhatsApp.
Se você está passando por um momento difícil: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br. Em uma emergência, ligue para o SAMU no 192.
O guia completo sobre a PFS
O que é, quem desenvolve a doença, o que as agências reguladoras fizeram, a pesquisa, o diagnóstico, o tratamento e a recuperação, com as fontes.
O que é a síndrome pós-finasterida?
A síndrome pós-finasterida (PFS) é uma doença multissistêmica causada pela finasterida e por remédios da mesma classe. Os sintomas podem começar durante o tratamento ou só depois de parar, e continuam depois que o remédio já saiu do corpo.
Metade de uma dose sai do sangue em 5 a 6 horas (em inglês), mas a PFS pode durar anos. Ninguém sabe ainda por quê.
A PFS é uma de três doenças relacionadas, junto com a PSSD (depois de antidepressivos ISRS e IRSN) e a PAS (depois da isotretinoína). Os critérios de 2022 cobrem as três.
Os critérios diagnósticos de 2022
Não existe exame de sangue nem de imagem para a PFS. Em 2022, 37 médicos e pesquisadores de dez países (em inglês) chegaram a um consenso sobre critérios diagnósticos para ela.
- Obrigatório: você tomou finasterida ou um remédio da mesma classe, como a dutasterida.
- Obrigatório: os problemas sexuais continuaram depois que você parou.
- Reforçam o diagnóstico: pouco desejo sexual, disfunção erétil ou menos sensibilidade nos genitais e no orgasmo, por 3 meses ou mais.
- Excluem o diagnóstico: os mesmos problemas antes do remédio, ou outra doença, outro remédio ou uso de drogas que os explique. Os critérios também pedem que não tenha havido uso anterior de isotretinoína nem de antidepressivo do tipo ISRS.
Problemas que passam depois de parar não são PFS. Um diagnóstico de saúde mental não exclui a PFS. Os critérios são um consenso de especialistas, não uma orientação oficial. Foram elaborados a partir de casos notificados ao RxISK.org, um site sobre segurança de medicamentos ligado a três dos autores.
Nomes, códigos e remédios
- Nome usado pelos pacientes
- Síndrome pós-finasterida (PFS)
- Termo MedDRA
- Síndrome pós-inibidor da 5-alfa-redutase (termo do MedDRA em português do Brasil); em inglês, “Post 5-alpha-reductase inhibitor syndrome”, código 10082430. O MedDRA é o dicionário que as agências reguladoras usam para registrar as notificações de efeitos colaterais.
- Orphanet (base de dados de doenças raras)
- Post 5-alpha-reductase inhibitors treatment syndrome (em inglês), ORPHA:686468
- Código na CID
- Não tem código próprio (a CID é a classificação que os médicos usam nos prontuários). O Orphanet a associa provisoriamente ao F52.8, um código amplo para disfunção sexual “não causada por transtorno ou doença orgânica”.
- Remédios envolvidos
- Finasterida 1 mg (Propecia e genéricos) e sprays de finasterida, para queda de cabelo. Finasterida 5 mg (Proscar) e dutasterida (Avodart), para o aumento da próstata.
- Como agem
- Bloqueiam uma enzima, a 5-alfa-redutase, presente no corpo todo, inclusive no cérebro. Ela transforma a testosterona em DHT, mas também produz neuroesteroides como a alopregnanolona, que agem no cérebro, nos nervos e no humor. Bloqueá-la faz muito mais do que diminuir a queda de cabelo e encolher a próstata.
Mais sobre os sintomas
Os critérios exigem sintomas sexuais. Depressão, problemas cognitivos e pensamentos suicidas podem vir junto ou aparecer sozinhos (em inglês), dizem os critérios.
Os sintomas sexuais vêm dos critérios de 2022, e a bula britânica (em inglês) lista depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. Os demais vêm principalmente de relatos de pacientes, reunidos na ficha do Orphanet (em inglês) e em uma pesquisa com 131 homens (em inglês) com sintomas.
Os sintomas podem começar enquanto você toma o remédio. Em algumas pessoas, eles aparecem pela primeira vez, ou pioram (em inglês), depois de parar. Veja mais em o que acontece quando você para de tomar finasterida.
Quem desenvolve PFS
A maioria dos casos publicados é de homens jovens que tomaram finasterida 1 mg para queda de cabelo. Fora isso, pouco se sabe sobre quem corre risco.
- Idade. No Reino Unido, a dose de 1 mg é aprovada para homens de 18 a 41 anos. Nas notificações à agência de medicamentos dos EUA (FDA) (em inglês), os homens com problemas duradouros depois do Propecia eram mais jovens do que os que tinham tomado Proscar, a dose para a próstata.
- Dose. Foram notificados problemas duradouros depois das doses de 1 mg e de 5 mg. No Reino Unido, as notificações vêm mais da dose de 1 mg, embora a de 5 mg seja mais receitada. A MHRA, agência reguladora britânica, diz que isso “não significa necessariamente um nível de risco diferente” (em inglês).
- Tempo de uso. Em um levantamento da PFS Network com os próprios membros, pouco mais da metade das 427 pessoas que responderam (em inglês) tinha usado finasterida por 200 dias ou menos. Por outro lado, em um estudo com prontuários nos EUA (em inglês), homens jovens que a usaram por mais de 205 dias tiveram mais disfunção erétil duradoura do que quem usou por menos tempo.
- Sexo. A finasterida não é aprovada para mulheres no Reino Unido. Na busca da MHRA de 2023 (em inglês), todas as notificações britânicas de efeitos colaterais sexuais que informavam o sexo vieram de homens. Não encontramos nenhum estudo sobre efeitos colaterais duradouros em mulheres.
- Histórico de saúde mental. Alguns estudos (em inglês) encontraram mais chance de efeitos colaterais em quem tinha histórico pessoal ou familiar de doença mental. A MHRA observa, porém, que muitos eram pequenos e dependiam da memória das pessoas.
Ninguém sabe por que algumas pessoas são afetadas e outras não, e nenhum exame consegue prever quem será.
A PFS é comum?
Ninguém sabe qual é a frequência da PFS. As agências reguladoras têm centenas de notificações, mas ninguém mediu uma taxa.
Durante o uso da finasterida, a bula britânica classifica a queda do desejo sexual e a depressão como “incomuns” (em inglês): de 1 em 1.000 a 1 em 100 pessoas. Para problemas depois da interrupção, não informa nenhum número.
O que é notificado
Até abril de 2024, a MHRA tinha 426 notificações ao Yellow Card (em inglês), o sistema britânico de notificação, sobre problemas sexuais com a finasterida. Em quase metade, o desfecho foi registrado como “não recuperado” ou “não resolvido”.
Por que não existe uma taxa
Uma taxa precisa de dois números: quantas pessoas têm PFS e quantas tomaram finasterida. Nenhum dos dois é conhecido; a MHRA chama isso de “falta de denominador” (em inglês). A finasterida 1 mg não é receitada pelo NHS, o sistema público de saúde britânico, então “não há números precisos de prescrições” (em inglês).
Os ensaios clínicos “não incluem rotineiramente um acompanhamento” (em inglês) para verificar se os efeitos colaterais sexuais passaram, escrevem os autores dos critérios. Em 2012, a FDA não conhecia nenhum estudo controlado “para determinar sua causa ou duração” (em inglês).
Estudos sobre a frequência
- Os ensaios clínicos. Durante o tratamento, 3,8% dos homens que tomavam finasterida (em inglês) relataram um efeito colateral sexual, contra 2,1% dos que tomavam placebo (um comprimido sem princípio ativo). Com base nesses ensaios, a FDA diz que “só uma pequena porcentagem dos homens” é afetada.
- Prontuários médicos. Um estudo americano de 2017 (em inglês) analisou 11.909 homens que receberam finasterida ou dutasterida. Desses, 167 (1,4%) tiveram disfunção erétil que durou pelo menos 90 dias depois da interrupção. Entre 4.284 homens de 16 a 42 anos que tomavam a dose para queda de cabelo, foram 34 (0,8%). Um único sistema de saúde, só disfunção erétil e nenhuma demonstração de causa: não é uma taxa de PFS.
A MHRA acrescenta que a atenção da mídia e o efeito “nocebo” (em inglês), sintomas causados pela expectativa de um dano, podem aumentar as notificações. Um estudo com grupo de comparação, que acompanhasse as pessoas depois que elas parassem de tomar o remédio, responderia à pergunta.
O que as agências reguladoras fizeram
As agências reguladoras do Reino Unido e dos EUA alertam que os efeitos colaterais sexuais da finasterida podem continuar depois da interrupção. Nenhuma reconheceu a PFS como doença. Quando pacientes pediram esse reconhecimento, a MHRA disse que isso “não está na alçada da MHRA” (em inglês).
Aprovada, com efeitos colaterais sexuais na bula
Os EUA aprovam a dose de 5 mg em 1992 e a de 1 mg em 1997; o Reino Unido autoriza a de 1 mg em 1999. Nos ensaios, os efeitos colaterais sexuais que constam das bulas “desapareceram nos pacientes que pararam”.
Reino Unido: problemas que persistiram depois de parar
A bula britânica passa a incluir notificações de disfunção erétil que persistiu depois da interrupção (2010) e, depois, de queda do desejo sexual e problemas de ejaculação (2013).
EUA: problemas que continuaram depois de parar
As bulas americanas passam a incluir a disfunção erétil que “continuou depois da descontinuação do medicamento” (2011) e, depois, distúrbios da libido, da ejaculação e do orgasmo (abril de 2012). Das 421 notificações que a FDA analisou, 59 duraram 3 meses ou mais. Relações causais claras “NÃO foram estabelecidas”, diz a FDA.
Reino Unido: depressão e pensamentos suicidas
A MHRA relata depressão e, “em casos raros, pensamentos suicidas”. Os médicos são orientados a recomendar que a dose de 1 mg seja interrompida “imediatamente” se surgir depressão.
EUA: depressão e pensamentos suicidas na bula
Depois de uma determinação da FDA em maio de 2022, a bula do Propecia lista “depressão, ideação e comportamento suicidas” entre os efeitos colaterais notificados depois da aprovação.
Reino Unido: um cartão do paciente nas caixas de 1 mg
A revisão da MHRA conclui que os efeitos colaterais estão na bula, mas “não são bem conhecidos por quem receita e pelos pacientes”. Um cartão em cada caixa de 1 mg agora diz que eles podem continuar depois da interrupção.
UE: pensamentos suicidas confirmados
Uma revisão da UE, aberta a pedido da França, confirma os pensamentos suicidas como efeito colateral dos comprimidos de finasterida. A frequência é “desconhecida”. As caixas de 1 mg passam a ter um cartão do paciente.
EUA: um alerta sobre sprays manipulados
A FDA relata 32 casos, de 2019 a 2024, com sprays de finasterida manipulados em farmácia. A maioria dos relatos dizia que os problemas “continuaram a persistir depois da descontinuação do produto”.
Reino Unido: alertas mais fortes
A MHRA informa que a finasterida “está associada a depressão, ideação suicida e disfunção sexual que pode persistir depois da interrupção do tratamento”. A bula britânica da dose de 1 mg agora alerta que os problemas sexuais podem contribuir para o humor deprimido.
Como a finasterida 1 mg é fornecida no Reino Unido
No Reino Unido, a finasterida 1 mg não é receitada pelo NHS. Ela vem de clínicas particulares ou, “com mais frequência” (em inglês), de farmácias on-line. Regular as farmácias “não está na alçada da MHRA”; quem define os padrões delas é o General Pharmaceutical Council.
A MHRA constatou que algumas farmácias on-line fazem triagem e acompanhamento rigorosos dos pacientes, e “outras não”.
A finasterida é segura? O que concluem as agências reguladoras
Em 2025, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concluiu que os benefícios da finasterida e da dutasterida “continuam a superar os riscos em todos os usos aprovados” (em inglês). Nenhuma agência reguladora consegue dizer ainda com que frequência o dano duradouro acontece.
Até 31 de maio de 2025, a MHRA tinha 170 notificações de pensamentos suicidas (em inglês) e termos relacionados com a finasterida, e 19 notificações de morte por suicídio. São notificações, não uma taxa. A MHRA acrescenta que uma notificação “não significa necessariamente que o medicamento causou a reação”.
Se esse assunto toca você de perto, o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.
Pesquisa sobre a PFS
Há pouca pesquisa sobre a PFS, e a maior parte vem de poucos grupos. Esses estudos encontraram diferenças em homens com PFS, mas “não está claro se elas já existiam antes do tratamento” (em inglês).
A primeira série de casos (2011)
Médicos da George Washington University entrevistaram 71 homens cujos efeitos colaterais sexuais tinham durado pelo menos 3 meses depois de parar. Deles, 94% tinham libido baixa e 92%, disfunção erétil, em média por 40 meses.
Homens escolhidos por terem sintomas duradouros, sem grupo de comparação. Os autores citam viés de seleção (quem participou) e viés de memória (depender da lembrança).
Depressão em quem já tomou (2012)
Das 61 pessoas que tinham tomado finasterida e ficaram com efeitos colaterais sexuais duradouros, 46 (75%) tinham sintomas de depressão. O mesmo aconteceu com 3 de 29 homens (10%) com queda de cabelo que nunca tinham tomado finasterida.
Estudo pequeno, e quem já tinha tomado foi escolhido por ter sintomas duradouros. A depressão foi medida por questionário. Um padrão, não uma taxa.
Nenhuma deficiência hormonal encontrada (2016)
Uma equipe de Harvard comparou 25 homens com sintomas duradouros, 13 que tomaram finasterida sem ter sintomas e 18 que nunca tomaram. A testosterona e a DHT não diferiam. Os homens com sintomas relatavam mais depressão e problemas cognitivos, mas tiveram resultados normais nos testes cognitivos.
Estudo pequeno e com uma única medição, então não pode mostrar causa. Financiado em parte pela Post-Finasteride Syndrome Foundation, uma organização sem fins lucrativos que apoia pesquisas.
Hormônios do cérebro e um gene (2017, 2019)
Uma equipe de Milão estudou o líquor (o líquido que envolve o cérebro e a medula) de 16 homens com PFS. Hormônios que agem no cérebro (esteroides neuroativos) estavam alterados. O gene da enzima que a finasterida bloqueia tinha com mais frequência uma marca química que pode silenciá-lo: 9 de 16 homens, contra 1 de 13 homens saudáveis.
Estudos-piloto pequenos. Os autores “não podem concluir” se o padrão genético já existia antes da finasterida.
Atividade dos genes na pele do pênis (2021)
Uma equipe americana comparou a pele do pênis de 26 homens com sintomas de PFS e de 26 homens submetidos à circuncisão. Nos homens com PFS, 3.764 genes estavam mais ou menos ativos, incluindo o gene do receptor de andrógenos (que responde à testosterona).
Um único tecido, nenhuma amostra de antes do remédio, e os homens podem não ser típicos. Os autores dizem que o estudo não pode mostrar causa.
Estudos em ratos (2025 e 2026)
Ratos que receberam finasterida por 20 dias mudaram pouco durante o uso, mas desenvolveram inflamação no intestino e no cérebro e comportamento ansioso depois da interrupção. Em 2025, a alopregnanolona, um hormônio que o corpo produz, reduziu várias das alterações inflamatórias.
Ratos, não pessoas, depois de um tratamento curto. São os dois primeiros estudos do Milano Project, para o qual o SIDEfxHUB arrecada recursos.
A maioria desses estudos mediu pequenos grupos de homens com PFS uma única vez, depois do remédio. Acompanhar as pessoas desde antes de começarem mostraria quais mudanças vieram primeiro.
Como a PFS é diagnosticada
Não existe exame para a PFS. O diagnóstico é feito a partir do seu histórico, com base nos critérios de 2022: o que você tomou, quando e o que mudou.
Pode ser que seu médico ou sua médica nunca tenha ouvido falar dela. Os autores dos critérios escrevem que essas doenças são “pouco conhecidas e mal compreendidas pelos profissionais de saúde” (em inglês).
O que levar à consulta
- O cartão do paciente que vem nas caixas no Reino Unido e na UE, se você tiver um: ele diz que esses efeitos podem continuar.
- Uma cópia impressa dos critérios de 2022 (em inglês), que podem ser lidos de graça.
- A sua dose e, mais ou menos, quando você começou e quando parou.
- O que mudou, e quando. Diga se começou ou continuou depois que você parou.
- Qualquer mudança no humor, mesmo que pareça não ter relação.
- Outros remédios, antigos e atuais, principalmente antidepressivos ou isotretinoína.
Descartar outras causas
Os critérios exigem que nenhuma outra doença, remédio ou droga explique os seus sintomas. Por isso, outras causas podem ser investigadas primeiro. Isso faz parte de um diagnóstico bem feito, e não um sinal de descrença.
Exames de sangue normais não resolvem a questão, nem para um lado nem para o outro. Níveis hormonais limítrofes podem ser “uma consequência das doenças, e não uma causa” (em inglês), escrevem os autores dos critérios.
Tratamento e recuperação da PFS
Não existe tratamento aprovado para a PFS. Em setembro de 2026, não encontramos nenhum ensaio clínico de tratamento registrado no ClinicalTrials.gov (em inglês).
O que a pesquisa está testando
O Milano Project, da Universidade de Milão, trabalha para chegar a um possível tratamento. É liderado pelo professor Roberto Melcangi, e o SIDEfxHUB arrecada recursos para ele. Em ratos, a alopregnanolona reduziu várias alterações (em inglês) observadas depois que a finasterida foi interrompida. Ela ainda não foi testada em pessoas.
A PFS é permanente?
Pode ser. A PFS “pode permanecer por meses, anos ou indefinidamente” (em inglês) depois que o remédio é interrompido, escrevem os autores dos critérios. Quantas pessoas se recuperam por completo “nunca foi investigado de forma adequada”.
Um estudo de acompanhamento de 2012 (em inglês) reavaliou 54 homens de 9 a 16 meses depois, e 96% ainda tinham sintomas. Mas eles foram escolhidos porque os sintomas já duravam, então o estudo não diz quais são as suas chances.
Por isso, ninguém pode dizer a você se a sua PFS vai passar. Veja mais em a recuperação completa da PFS é possível?
Como avaliar uma oferta de tratamento
Você pode encontrar tratamentos oferecidos pela internet ou em clínicas particulares. Não recomendamos nenhum. Estas perguntas ajudam você e seu médico ou sua médica a avaliar uma oferta:
- O tratamento foi testado em pessoas com PFS, com grupo de comparação? Ou só em relatos de caso, histórias de pacientes ou animais?
- Quais são os efeitos colaterais do próprio tratamento, e o que acontece quando você para?
- Quanto custa, e quem recomenda o tratamento também o vende?
- Seu médico ou sua médica vai saber que você está usando?
O que o SIDEfxHUB faz
O SIDEfxHUB é uma associação britânica de pacientes, registrada como organização beneficente (registered charity 1203385), para pessoas que convivem com PFS, PSSD e PAS. Financiamos pesquisas, lutamos pelo reconhecimento dessas doenças e apoiamos os pacientes.
- O registro. Nosso registro de pacientes acompanha as pessoas ao longo de meses e anos. Quem está nele escolheu se cadastrar, então ele não pode dizer com que frequência a PFS acontece. Ele pode mostrar como os sintomas mudam com o tempo, algo que uma notificação isolada não mostra.
- Pesquisa. Arrecadamos recursos para o Milano Project, na Universidade de Milão, que estuda o que a finasterida e os ISRS mudam no corpo. Os dois estudos publicados até agora foram feitos em ratos.
Fontes
Todas as fontes abaixo foram conferidas em 26 de setembro de 2026. Estão em inglês, e as citações desta página foram traduzidas do inglês.
Critérios diagnósticos da PFS (2022)
Healy e 36 coautores, International Journal of Risk & Safety in Medicine.
Ler o artigo→MHRA Drug Safety Update, maio de 2026
Os alertas britânicos atualizados, com os números do Yellow Card.
Ler no GOV.UK→Revisão da finasterida pela MHRA, 2024
O relatório britânico por trás do cartão do paciente.
Ler no GOV.UK→Revisão da EMA sobre finasterida e dutasterida, 2025
A revisão europeia sobre pensamentos suicidas com esses medicamentos.
Ler no site da EMA→Mudanças na bula da finasterida pela FDA, 2012
A FDA sobre as mudanças de 2011 e 2012 na bula, em versão arquivada.
Ver a versão arquivada→Bula americana do Propecia
Informações de prescrição dos EUA, no DailyMed.
Ler a bula→Bula britânica do Propecia
Informações de prescrição do Reino Unido, no compêndio britânico de medicamentos.
Ler a bula→Orphanet: ORPHA:686468
A ficha na base de dados de doenças raras.
Abrir o Orphanet→Pesquisa sobre PFS no PubMed
Estudos publicados sobre a síndrome pós-finasterida.
Buscar no PubMed→Mais sobre a PFS
Isto não substitui orientação médica. Converse com seu médico ou sua médica antes de tomar decisões sobre o tratamento.
580+ pessoas já estão no registro.
Cadastre-se você também e depois notifique seus efeitos colaterais.
- Deixe o seu caso registrado
- Saiba antes de todos sobre estudos dos quais pode participar
- Depois, notifique seus efeitos colaterais à agência reguladora