Disfunção sexual pós-ISRS (PSSD) Efeitos colaterais sexuais que continuam depois que você para de tomar um antidepressivo
Em algumas pessoas, os efeitos colaterais sexuais de um antidepressivo ISRS ou IRSN continuam depois que elas param de tomar o remédio. As bulas do Reino Unido e da UE alertam para isso desde 2019, mas ninguém mediu com que frequência acontece, e não existe tratamento aprovado.
Pelos critérios diagnósticos de 2022 (em inglês), o sinal que define a PSSD é uma mudança duradoura na sensibilidade genital, como dormência, depois de parar um ISRS ou IRSN. A perda do desejo costuma vir junto.
Desde 2019, as bulas de ISRS e IRSN no Reino Unido e na UE dizem que os sintomas sexuais às vezes “continuaram depois da interrupção do tratamento” (em inglês). Das bulas americanas que verificamos, só a do Prozac diz isso.
Não existe exame, e pode ser que seu médico ou sua médica nunca tenha ouvido falar da PSSD. Mas as agências reguladoras têm um termo para ela desde 2021, então você pode notificá-la pelo nome (em inglês).
Ninguém sabe com que frequência a PSSD acontece. Uma revisão de 2023 não conseguiu encontrar uma estimativa confiável (em inglês).
Não existe tratamento aprovado. A PSSD “pode permanecer por meses, anos ou indefinidamente” (em inglês), e quantas pessoas se recuperam nunca foi estudado de forma adequada.
O que é a PSSD?
Disfunção sexual pós-ISRS (PSSD) é o nome dado a problemas sexuais que continuam depois que um antidepressivo ISRS ou IRSN é interrompido. Em algumas pessoas, eles só começam depois de parar. O sinal que define a PSSD é uma mudança duradoura na sensibilidade dos genitais.
Os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina) são o tipo de antidepressivo mais usado (em inglês), segundo o NHS, o sistema público de saúde britânico. Os IRSN (inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina) agem de forma parecida. Os dois ajudam muitas pessoas.
Efeitos colaterais sexuais durante o uso desses remédios são comuns, e eles costumam passar (em inglês) quando os comprimidos são interrompidos. Na PSSD, eles não passam.
Os critérios de 2022, em palavras simples
Não existe exame de sangue nem de imagem para a PSSD. Em 2022, 37 médicos e pesquisadores de dez países (em inglês) chegaram a um consenso sobre critérios diagnósticos para ela.
- Obrigatório: você tomou um remédio que bloqueia a recaptação de serotonina, como um ISRS ou IRSN.
- Obrigatório: a sensibilidade dos seus genitais mudou e continuou diferente depois que você parou. Os genitais podem ficar dormentes ao toque, ou o toque é percebido, mas já não é sentido como sexual.
- Reforçam o diagnóstico: perda duradoura do desejo sexual, problemas de ereção, orgasmos ausentes ou com menos prazer, e problemas que já duram 3 meses ou mais.
- Excluem o diagnóstico: os mesmos problemas antes do remédio, ou outra doença, outro remédio ou substância que os explique.
Quando os problemas já duram três meses depois de parar, o consenso dos autores é que “é mais provável que seja PSSD”. Ter hoje um diagnóstico de saúde mental não exclui a PSSD.
Os critérios são um consenso de especialistas, não uma orientação oficial. Foram elaborados a partir de casos notificados ao RxISK.org, um site sobre segurança de medicamentos ligado a três dos autores. Nosso artigo sobre como a PSSD é diagnosticada explica como eles foram elaborados.
Nomes e códigos
- Nome usado pelos pacientes
- PSSD, sigla do nome em inglês (post-SSRI sexual dysfunction)
- Termo MedDRA
- Post-SSRI sexual dysfunction, código 10086208, incluído em 2021; no MedDRA em português do Brasil, “Disfunção sexual pós-ISRS”. O MedDRA é o dicionário que as agências reguladoras usam para registrar as notificações de efeitos colaterais.
- Código nos prontuários do NHS
- Um código SNOMED para disfunção sexual persistente depois de parar um ISRS, incluído em outubro de 2024. O SNOMED é o sistema de codificação dos prontuários do NHS.
- Orphanet (base de dados de doenças raras)
- Post-selective serotonin reuptake inhibitor sexual dysfunction (em inglês), ORPHA:686475
- Código na CID
- Não tem código próprio (a CID é a classificação que os médicos usam nos prontuários). O Orphanet a associa provisoriamente ao F52.8, um código amplo para disfunção sexual “não causada por transtorno ou doença orgânica”.
Os remédios envolvidos
Em 2019, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) pediu a inclusão de um alerta nas bulas de dez medicamentos (em inglês): seis ISRS e quatro IRSN.
- ISRS
- Citalopram (Cipramil, Celexa), escitalopram (Cipralex, Lexapro), fluoxetina (Prozac), fluvoxamina (Faverin), paroxetina (Seroxat, Paxil), sertralina (Lustral, Zoloft)
- IRSN
- Desvenlafaxina (Pristiq), duloxetina (Cymbalta), milnaciprano, venlafaxina (Efexor, Effexor)
- Também relatada depois de
- Outros remédios que bloqueiam a recaptação de serotonina, como alguns antidepressivos tricíclicos. Há notificações parecidas depois da mirtazapina, com dados insuficientes para dizer se é a mesma doença.
Estar nesta lista não significa que um remédio vai causar isso em você, e não é motivo para parar de tomá-lo. Os artigos quais antidepressivos estão ligados à PSSD e antidepressivos com menos efeitos colaterais sexuais? aprofundam o tema.
Sintomas da PSSD
Os sintomas abaixo vêm dos critérios de 2022 (em inglês). Só um é obrigatório: uma mudança duradoura na sensibilidade dos genitais. Os outros costumam vir junto.
Sensibilidade genital
4- Genitais dormentes, como se estivessem sob anestesia local
- O toque é percebido, mas não tem mais sensação sexual
- Mamilos menos sensíveis
- Dor genital
Função sexual
6- Perda do desejo sexual
- Problemas de ereção
- Orgasmo ausente, fraco ou sem prazer
- Menos lubrificação vaginal
- Menos ereções noturnas, ou nenhuma
- Ejaculação mais fraca
Emoções, sentidos e pensamento
4- Embotamento emocional (as emoções ficam apagadas)
- Despersonalização (sensação de distanciamento de si)
- Mudanças na sensibilidade da pele, no olfato, no paladar ou na visão
- Prejuízo cognitivo (dificuldade de pensar com clareza)
O que os critérios exigem, e o que costuma vir junto
Os critérios exigem a mudança na sensibilidade porque essas alterações “parecem ser próprias da PSSD”, escrevem os autores. Elas podem ficar “escondidas sob” a falta de desejo, por isso vale a pena mencioná-las separadamente.
A intensidade varia. Os critérios consideram qualquer mudança que não tenha voltado totalmente ao que era antes do remédio, como um orgasmo que volta, mas é sentido de outro jeito.
A perda de sensibilidade emocional e a genital “costumam andar juntas”, observam os critérios. O lado emocional é muitas vezes chamado de embotamento emocional. Sobre o lado sexual, leia dormência genital depois de antidepressivos e PSSD em mulheres.
Quem tem PSSD, e o que ninguém sabe
A PSSD já foi relatada em homens e mulheres, de adolescentes a pessoas na casa dos 60 anos, depois de tratamentos curtos e longos.
- Sexo
- Homens e mulheres. Na maior série de casos publicada (em inglês), 171 notificações ligadas a antidepressivos vieram de homens e 50 de mulheres. Isso mostra quem notificou, não quem é afetado.
- Idade
- De 15 a 66 anos na mesma série. O único estudo baseado em prontuários médicos incluiu só homens de 21 a 49 anos.
- Tempo de uso
- Os critérios dizem que a PSSD pode vir depois de “exposições de apenas alguns dias”. Na série de 2018, 15 pessoas tinham tomado um antidepressivo por menos de duas semanas.
- Dose
- Não se sabe. Uma revisão de 2023 (em inglês) pediu pesquisas sobre se a dose faz diferença.
- Uso anterior
- Pode acontecer mesmo que um tratamento anterior com o mesmo remédio, ou com um parecido, não tenha causado nenhum problema real, dizem os critérios.
- Quando começa
- Muitas vezes durante o uso, e depois continua. Em 41 das 221 notificações ligadas a antidepressivos na série de 2018, começou ou piorou muito só depois de parar.
- Quem corre mais risco
- Não se sabe. A pesquisa sobre quem desenvolve PSSD “continua escassa”, escreveram Healy e Mangin (em inglês) em 2024.
A PSSD é comum? Ninguém mediu
Ninguém sabe com que frequência a PSSD acontece. A incidência “é desconhecida”, escrevem os autores dos critérios, e uma revisão sistemática de 2023 (em inglês), com 19 estudos e relatos de caso, não conseguiu encontrar uma estimativa confiável.
Notificado não é o mesmo que medido
Notificações ao sistema britânico Yellow Card, à agência de medicamentos dos EUA (FDA) ou ao RxISK mostram que algo acontece. Não mostram com que frequência, porque a maioria das reações nunca é notificada. A agência britânica de medicamentos (MHRA) publicou a estimativa de que “só 10% das reações graves” são notificadas (em inglês).
Por que não existe uma taxa
Healy e Mangin (em inglês), dois dos autores dos critérios, deram estes motivos em 2024:
- Um ensaio clínico feito para encontrar a PSSD seria antiético, porque correria o risco de causá-la.
- Questionários comuns, como a Arizona Sexual Experience Scale, não perguntam sobre a sensibilidade genital.
- Os estudos das empresas farmacêuticas raramente acompanham as pessoas depois que param.
- Muitas vezes as pessoas não mencionam mudanças na sensibilidade, a menos que alguém pergunte diretamente.
- Quando mencionam, a ligação com o remédio raramente fica registrada onde os pesquisadores possam encontrá-la.
Os dois estudos que tentaram
Prontuários médicos em Israel, 2023
Ben-Sheetrit e colegas pesquisaram 19 anos de prontuários em um distrito do maior serviço de saúde de Israel. Dos 866 homens que tomaram um antidepressivo que age na serotonina, 4 ainda eram tratados para novos problemas de ereção meses depois de parar: 1 em 216.
Só homens de 21 a 49 anos. O estudo contou receitas de remédios para ereção, não a dormência genital. Os autores dizem que ele “pode subestimar” a PSSD.
Pesquisa com jovens, 2024
Pirani e colegas perguntaram a jovens dos EUA e do Canadá sobre dormência genital duradoura. Ela foi relatada por 93 de 707 pessoas que já tinham usado antidepressivos, contra 1 de 102 que tinham tomado outros remédios psiquiátricos.
Autorrelato de pessoas de minorias sexuais e de gênero, de 15 a 29 anos. A chance ajustada foi 14,2 vezes maior, mas, com um único caso no grupo de comparação, a faixa provável é ampla (2,92 a 257). Quem lidera o estudo faz parte de um grupo canadense de pacientes com PSSD.
Nenhum dos dois estudos dá uma taxa para todas as pessoas que tomam um antidepressivo, e não transformamos esses números em uma. Achamos que um estudo que pergunte sobre a sensibilidade genital antes, durante e depois do tratamento, por anos, fecharia essa lacuna.
O que as agências reguladoras fizeram: alertas, não reconhecimento
As agências reguladoras do Reino Unido e da UE incluíram um alerta nas bulas dos ISRS e dos IRSN, e nos EUA uma bula traz esse alerta. Nenhuma reconheceu a PSSD como doença.
EUA: a bula do Prozac
A bula americana da fluoxetina (Prozac) passa a dizer: “Os sintomas de disfunção sexual ocasionalmente persistem após a interrupção do tratamento com fluoxetina.” O texto continua lá. Outras bulas americanas de ISRS e IRSN que verificamos em setembro de 2026 não dizem isso.
EUA: uma petição à FDA
Uma petição cidadã apresentada por David Healy pede um alerta em todas as bulas de ISRS e IRSN: os efeitos colaterais sexuais “às vezes podem persistir por anos ou indefinidamente”. A FDA envia uma resposta provisória em novembro de 2018.
UE: um alerta em dez medicamentos
O comitê de segurança da EMA pede a inclusão de um alerta nas bulas de seis ISRS e quatro IRSN. As bulas passam a dizer: “Em alguns casos, esses sintomas continuaram depois da interrupção do tratamento.”
Reino Unido: o mesmo alerta
Nas palavras do governo, as bulas britânicas dos ISRS agora relatam “disfunção sexual duradoura, em que os sintomas continuam apesar da interrupção”. A MHRA participou da revisão europeia que deu origem ao alerta.
Um termo para as notificações de efeitos colaterais
“Post-SSRI sexual dysfunction” (código 10086208) é incluído no MedDRA. O governo diz que isso vai ajudar “no registro e na consulta” das notificações ao Yellow Card.
Reino Unido: um código para os prontuários do NHS
O SNOMED, o sistema de codificação dos prontuários do NHS, inclui a disfunção sexual persistente depois de parar um ISRS. O governo diz que isso “vai ajudar na identificação clínica dos pacientes”.
Reino Unido: reconhecimento “fora da alçada da MHRA”
Perguntado na Câmara dos Lordes se a PSSD será reconhecida, o governo aponta para um grupo de especialistas sobre as bulas. Esse trabalho “não vai tratar do reconhecimento clínico” da PSSD, diz o governo. A resposta não diz qual órgão faria isso.
Reino Unido: as bulas vão mudar
A Commission on Human Medicines, que assessora o governo britânico, recomenda atualizar as bulas de “certos antidepressivos” sobre disfunção sexual “que pode continuar depois da interrupção do tratamento”. Até o fim de setembro de 2026, não tínhamos encontrado nenhum anúncio do texto final.
EUA: a petição continua pendente
A FDA ouve as pessoas por trás da petição de 2018 e de outras quatro petições sobre ISRS e IRSN. Ela não dá opinião e vai publicar as respostas quando estiverem prontas. Nenhum alerta para todos os ISRS e IRSN foi incluído nas bulas americanas.
Um alerta na bula não é o mesmo que uma orientação clínica. Na Inglaterra, a diretriz do NICE sobre depressão (em inglês) lista “efeitos de longo prazo sobre a função sexual” como um risco do uso prolongado. Ela não menciona problemas que continuam depois da interrupção.
Achamos que isso deixa uma lacuna no Reino Unido. A bula alerta para o problema e o dicionário dá nome a ele, mas nenhum órgão oficial orienta os médicos a reconhecê-lo. O que MHRA, EMA e FDA dizem sobre a PSSD traz mais detalhes.
O que a pesquisa mostra e quais são seus limites
Há pouca pesquisa sobre a PSSD. A maior parte descreve casos, pouquíssima acompanha as pessoas ao longo do tempo, e não encontramos nenhum ensaio controlado de tratamento.
Ninguém sabe por que ela dura, e nenhuma explicação foi confirmada em pessoas. As hipóteses incluem mudanças duradouras na forma como os genes são ativados e desativados, a chamada mudança epigenética (em inglês), e nos neuroesteroides (em inglês), esteroides produzidos no cérebro e nos nervos.
300 casos, 2018
Healy e colegas descreveram notificações de 37 países, 221 delas depois de um antidepressivo. A dormência genital apareceu em 49% das notificações de homens e em 60% das de mulheres.
As pessoas escolheram notificar ao RxISK, um site que os autores criaram, e os textos do site “provavelmente incentivaram as notificações”. O estudo mostra o que as pessoas descrevem, não com que frequência acontece.
Revisão sistemática, 2023
Tarchi e colegas encontraram 19 estudos e relatos de caso que atendiam aos critérios de inclusão. Não conseguiram estimar com que frequência a PSSD acontece, nem confirmar que os remédios a causam. Mas problemas duradouros “não puderam ser totalmente descartados”.
Dos 19, 11 eram relatos de um único caso, e nenhum era um ensaio randomizado.
Estudos em ratos, 2021 e 2025
Giatti e colegas deram paroxetina a ratos machos por duas semanas. Os níveis de esteroides no cérebro e a atividade dos genes mudaram. Algumas mudanças ainda estavam lá um mês depois da interrupção.
Estudos em animais, só em machos. Indicam onde procurar, não o que acontece em pessoas. São da equipe do professor Melcangi, em Milão, que conduz o Milano Project, para o qual o SIDEfxHUB arrecada recursos.
Voluntários saudáveis, 2010
Trinta e cinco homens saudáveis tomaram paroxetina por cinco semanas. Até 35% notaram mudanças nas ereções, e até 47%, problemas de ejaculação. Os autores relatam função quase normal depois da interrupção.
Os autores dos critérios observam que as pontuações ainda não tinham voltado totalmente ao normal um mês depois. O acompanhamento terminou aí, e o questionário não perguntava sobre sensibilidade genital.
Como a PSSD é diagnosticada
Não existe exame para a PSSD. O diagnóstico é feito a partir do seu histórico, com base nos critérios de 2022. Esses critérios não são uma orientação oficial, e pode ser que seu médico ou sua médica nunca tenha ouvido falar deles.
Algumas clínicas conseguem testar a sensibilidade ao toque no pênis, mas, para a sensação sexual, “não há testes disponíveis”, observam os critérios. Exames de sangue normais não descartam a PSSD. Eles ajudam a descartar outras causas.
O que pode ser descartado, e por que isso é justo
A própria depressão pode afetar o sexo. Uma revisão de 2012 (em inglês) de seis estudos concluiu que ela aumentava o risco de problemas sexuais em cerca de 50% a 70%. É um número relativo: a revisão não informa a taxa de base.
Os sintomas de retirada se distinguem pelo tempo. A bula britânica do escitalopram (em inglês) diz que eles costumam passar em até duas semanas. Em algumas pessoas, eles “podem se prolongar (2-3 meses ou mais)”.
A dormência é diferente. “Nenhum transtorno mental causa anestesia dos genitais”, escrevem Healy e Mangin (em inglês). Às vezes se encontram níveis hormonais limítrofes na PSSD, mas os critérios dizem que eles “podem ser uma consequência das doenças, e não uma causa”.
O que levar à consulta
- Uma cópia impressa dos critérios de 2022 (em inglês), que podem ser lidos de graça.
- O remédio, a dose e, mais ou menos, quando você tomou.
- Quando as mudanças começaram, e se foi durante o uso ou depois de parar.
- O que mudou: se a sensação do toque ficou mais fraca, ou se o toque é percebido, mas não tem mais sensação sexual.
- Como as coisas eram antes de você tomar o remédio.
Peça que isso seja registrado no seu prontuário. Os prontuários do NHS têm um código para a PSSD desde outubro de 2024. Se você ainda toma o remédio e não consegue parar, os critérios dizem que “um diagnóstico provisório pode ser justificado”.
Como a PSSD é diagnosticada explica cada etapa com mais detalhes.
Tratamento e recuperação da PSSD
Não existe tratamento aprovado para a PSSD. As tentativas descritas na pesquisa “ainda não levaram a nenhum tratamento estabelecido”, escreveram Healy e Mangin (em inglês) em 2024.
Em setembro de 2026, não encontramos nenhum ensaio clínico de tratamento registrado no ClinicalTrials.gov (em inglês). A pesquisa ainda está na fase de laboratório. O Milano Project, para o qual o SIDEfxHUB arrecada recursos, procura no cérebro e nos nervos o ponto onde a dormência começa.
A PSSD passa?
Ninguém consegue dizer de antemão se vai passar para uma pessoa específica. O que está documentado é que algumas pessoas melhoram e outras não.
David Healy escreveu que “algum grau de recuperação espontânea acontece em alguns casos” (em inglês) ao longo de vários anos. É a impressão de um clínico, não uma contagem.
Em outras pessoas, ela dura. Os critérios descrevem notificações de PSSD que duram mais de 20 anos e não definem um limite máximo.
Quantas pessoas se recuperam por completo “nunca foi investigado de forma adequada”, escrevem os autores dos critérios. Healy e Mangin acrescentam que relatos de recuperação na internet às vezes descrevem melhora com problemas que continuam.
Para saber mais sobre a recuperação, leia como pode ser a recuperação da PSSD e se os efeitos sexuais dos ISRS passam com o tempo.
Como avaliar uma oferta de tratamento
Você pode encontrar tratamentos oferecidos pela internet ou em clínicas particulares. Não recomendamos nenhum. Estas perguntas ajudam você e seu médico ou sua médica a avaliar uma oferta:
- O tratamento foi testado em um ensaio controlado com pessoas com PSSD, e onde isso foi publicado?
- Quais são os riscos, e ele é aprovado para esse uso?
- Ele promete recuperação? Ninguém pode prometer isso com honestidade.
- Ele exigiria parar ou mudar outro remédio?
- Quanto custa, e quem está vendendo?
Se você experimentar algo, conte ao seu médico ou à sua médica. Você também pode notificar os efeitos colaterais do próprio tratamento.
Se você acha que tem PSSD
Se você se reconhece nisso, leve a sério. O que você descreve está nas bulas do Reino Unido e da UE, e as agências reguladoras têm um termo para isso nas notificações de efeitos colaterais.
Não pare nem mude nenhum remédio por causa de qualquer informação desta página. Parar um antidepressivo de uma vez pode causar sintomas de retirada, e a doença que ele trata pode voltar. Qualquer mudança deve ser conversada com quem receitou o remédio.
Converse com quem receitou o remédio
Ou com um clínico geral, no SUS ou no seu plano de saúde, esteja você ainda tomando o remédio ou tenha parado há anos. Leve a lista da seção de diagnóstico, acima. Você não precisa parar um remédio para falar sobre isso.
Notifique
No Brasil, notifique à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo VigiMed; no Reino Unido, use o sistema Yellow Card (em inglês) e, nos EUA, o MedWatch (em inglês). Você não precisa comprovar nada, e nenhum médico precisa concordar. Nosso guia para notificar efeitos colaterais cobre outros países.
Cadastre-se no registro
Fazer seu cadastro no registro de pacientes do SIDEfxHUB leva cerca de três minutos, e você não precisa de diagnóstico. Uma notificação mostra um único momento. O registro acompanha o que acontece ao longo de meses e anos.
Encontre outras pessoas
Nossos grupos de apoio no WhatsApp são pequenos e privados, e abertos a qualquer pessoa cadastrada no registro. Acho que tenho PSSD traz mais primeiros passos.
Código MedDRA 10086208, termo em inglês: Post-SSRI sexual dysfunction. Ao notificar, escreva esse termo exatamente assim no campo de texto livre e depois descreva seus sintomas com suas palavras. Diga se eles continuaram ou começaram depois que você parou. “PSSD”, sozinho, não está no dicionário.
Se você está passando por um momento difícil: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br. Se você está em perigo agora, ligue para o SAMU no 192.
O que o SIDEfxHUB faz
O SIDEfxHUB é uma associação britânica de pacientes, registrada como organização beneficente (registered charity 1203385), para pessoas que convivem com PFS, PSSD e PAS. Financiamos pesquisas, lutamos pelo reconhecimento dessas doenças e apoiamos os pacientes.
- O registro. Nosso registro de pacientes acompanha as pessoas ao longo de meses e anos. Quem está nele escolheu se cadastrar, então ele não pode dizer com que frequência a PSSD acontece. Ele pode mostrar como os sintomas mudam com o tempo, algo que a pesquisa quase não examinou.
- Pesquisa. Arrecadamos recursos para o Milano Project, na Universidade de Milão, que estuda o que a finasterida e os ISRS mudam no corpo. Ele é liderado pelo professor Roberto Melcangi, cuja equipe publicou os estudos com paroxetina em ratos citados acima.
Fontes
Todas as fontes abaixo foram conferidas em 26 de setembro de 2026. Estão em inglês, e as citações desta página foram traduzidas do inglês.
Critérios diagnósticos, 2022
Healy e 36 coautores, International Journal of Risk & Safety in Medicine.
Ler o artigo→Comitê de segurança da EMA, maio de 2019
A recomendação que incluiu o alerta em dez ISRS e IRSN.
Ler o documento→Parlamento britânico, HL7363
A resposta do governo, de maio de 2025, sobre a PSSD, o termo MedDRA e o SNOMED.
Ler a resposta→MHRA, dezembro de 2025
A revisão das bulas de antidepressivos, incluindo a disfunção sexual depois da interrupção.
Ler o anúncio→Bula britânica do escitalopram
Informações de prescrição do Reino Unido para médicos, com o alerta de 2019.
Ler a bula→Bula americana do Prozac
A única bula americana de ISRS ou IRSN que encontramos com esse alerta.
Ler a bula→Processo da petição na FDA
A petição de 2018 que pede à FDA um alerta em todos os ISRS e IRSN, e o histórico dela.
Ver o processo→Healy e Mangin, 2024
Por que ninguém mediu com que frequência a PSSD acontece.
Ler o artigo→PubMed
Busque toda a pesquisa publicada sobre disfunção sexual pós-ISRS.
Buscar no PubMed→Com as próprias palavras
Entrevistas gravadas pelo canal Moral Medicine. Cada uma mostra a experiência de uma pessoa, não com que frequência a PSSD acontece.
Victoria
Victoria tomou escitalopram (Lexapro) por cerca de três meses quando era estudante. Ela descreve dormência genital, perda do desejo e embotamento emocional depois que parou.
Benjamin
Benjamin fala sobre 14 anos de PSSD depois de tomar Cymbalta (duloxetina). Ele descreve a perda da libido e como foi difícil ter o problema reconhecido pelos médicos.
Nick
Nick descreve uma anedonia emocional e genital intensa, a perda de sensação e de prazer, depois de tomar um ISRS muito receitado.
Mais sobre a PSSD
Isto não substitui orientação médica. Converse com seu médico ou sua médica antes de tomar decisões sobre o tratamento.
Acha que pode ter PSSD?
Cadastre-se no registro: leva cerca de três minutos, sem necessidade de diagnóstico. Uma notificação mostra um único momento. O registro acompanha o que acontece depois.