Síndrome pós-finasterida (PFS) Efeitos colaterais da finasterida que continuam depois que você para de tomar

Em algumas pessoas, os efeitos colaterais da finasterida continuam depois que elas param de tomar o remédio. As bulas do Reino Unido e dos EUA dizem que os problemas sexuais podem persistir, mas ninguém mediu com que frequência isso acontece, e não existe tratamento aprovado.

Em resumo

Pelos critérios diagnósticos de 2022 (em inglês), PFS quer dizer problemas sexuais que continuam depois que você para de tomar a finasterida ou um remédio da mesma classe. Muitas pessoas também relatam mudanças no humor, no pensamento e no corpo.

As bulas do Reino Unido (em inglês) e dos EUA (em inglês) citam problemas sexuais que continuaram depois que a finasterida foi interrompida.

Não existe exame, e pode ser que seu médico ou sua médica não conheça a PFS. Em 2024, a agência reguladora britânica concluiu que esses efeitos colaterais “não são bem conhecidos por quem receita e pelos pacientes” (em inglês).

Ninguém mediu com que frequência a PFS acontece. A bula britânica diz que essa frequência “não pode ser determinada” (em inglês).

Não existe tratamento aprovado. A PFS “pode permanecer por meses, anos ou indefinidamente” (em inglês), e quantas pessoas se recuperam nunca foi estudado de forma adequada.

O que é a síndrome pós-finasterida?

Síndrome pós-finasterida (PFS) é o nome dado aos efeitos colaterais da finasterida que continuam depois que o remédio é interrompido. Os sintomas centrais são sexuais. Muitas pessoas também relatam mudanças no humor, no pensamento e no corpo.

A finasterida sai do corpo rapidamente: metade dela é eliminada do sangue em 5 a 6 horas (em inglês). Mesmo assim, em algumas pessoas os efeitos colaterais não acabam junto com o remédio. Ninguém sabe ainda por quê.

Os critérios de 2022, em palavras simples

Não existe exame de sangue nem de imagem para a PFS. Em 2022, 37 médicos e pesquisadores de dez países (em inglês) chegaram a um consenso sobre critérios diagnósticos para ela.

  • Obrigatório: você tomou finasterida ou um remédio da mesma classe, como a dutasterida.
  • Obrigatório: os problemas sexuais continuaram depois que você parou.
  • Reforçam o diagnóstico: perda duradoura do desejo sexual, disfunção erétil ou menos sensibilidade nos genitais e no orgasmo, e problemas que já duram 3 meses ou mais.
  • Excluem o diagnóstico: os mesmos problemas antes do remédio, ou outra doença, outro remédio ou uso de drogas que os explique. Os critérios também pedem que não tenha havido uso anterior de isotretinoína nem de antidepressivo do tipo ISRS (inibidor seletivo da recaptação de serotonina).

Problemas sexuais durante o uso da finasterida que passam depois de parar não são PFS, dizem os critérios. Ter hoje um diagnóstico de saúde mental não exclui a PFS.

Os critérios são um consenso de especialistas, não uma orientação oficial. Foram elaborados a partir de casos notificados ao RxISK.org, um site sobre segurança de medicamentos ligado a três dos autores.

Nomes, códigos e remédios

Nome usado pelos pacientes
Síndrome pós-finasterida (PFS)
Termo MedDRA
Post 5-alpha-reductase inhibitor syndrome, código 10082430; no MedDRA em português do Brasil, “Síndrome pós-inibidor da 5-alfa-redutase”. O MedDRA é o dicionário que as agências reguladoras usam para registrar as notificações de efeitos colaterais.
Orphanet (base de dados de doenças raras)
Post 5-alpha-reductase inhibitors treatment syndrome (em inglês), ORPHA:686468
Código na CID
Não tem código próprio (a CID é a classificação que os médicos usam nos prontuários). O Orphanet a associa provisoriamente ao F52.8, um código amplo para disfunção sexual “não causada por transtorno ou doença orgânica”.
Remédios envolvidos
Finasterida 1 mg (Propecia e genéricos) e sprays de finasterida, para queda de cabelo. Finasterida 5 mg (Proscar) e dutasterida (Avodart), para o aumento da próstata.
Como agem
Bloqueiam uma enzima, a 5-alfa-redutase, que transforma a testosterona em DHT, outro hormônio masculino. Com menos DHT, a queda de cabelo diminui e a próstata encolhe.

Sintomas da síndrome pós-finasterida

Só os sintomas sexuais são necessários para o diagnóstico. Depressão, problemas de raciocínio e pensamentos suicidas podem vir junto ou aparecer sozinhos (em inglês), dizem os critérios.

Sexuais

5
  • Perda do desejo sexual (libido)
  • Disfunção erétil (dificuldade de ter ou manter uma ereção)
  • Menos sensibilidade nos genitais
  • Orgasmos mais fracos ou com menos prazer
  • Problemas de ejaculação, incluindo menos sêmen

Mente e humor

5
  • Depressão (humor deprimido que não melhora)
  • Ansiedade
  • Névoa mental (dificuldade de se concentrar e de pensar com clareza)
  • Dificuldade para dormir (insônia)
  • Pensamentos suicidas

Corpo

5
  • Aumento das mamas ou dor ao toque (ginecomastia)
  • Cãibras, contrações involuntárias ou fraqueza nos músculos
  • Cansaço que não passa (fadiga crônica)
  • Pele seca ou mais fina
  • Dor nas articulações

Se você tem pensamentos suicidas, não precisa esperar: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.

Os sintomas sexuais vêm dos critérios de 2022, e a bula britânica (em inglês) lista depressão, ansiedade e pensamentos suicidas. Os demais vêm principalmente de relatos de pacientes, reunidos na ficha do Orphanet (em inglês) e em uma pesquisa com 131 homens (em inglês) com sintomas.

Os sintomas podem começar enquanto você toma o remédio. Em algumas pessoas, eles aparecem pela primeira vez, ou pioram (em inglês), depois de parar. Veja mais sobre o que acontece quando você para de tomar finasterida.

Quem tem efeitos colaterais duradouros da finasterida

A maioria dos casos publicados é de homens jovens que tomaram finasterida 1 mg para queda de cabelo. Fora isso, pouco se sabe sobre quem corre risco.

  • Idade. A dose de 1 mg é aprovada para homens de 18 a 41 anos. Nas notificações à agência de medicamentos dos EUA (FDA) (em inglês), os homens com problemas duradouros depois do Propecia eram mais jovens do que os que tinham tomado Proscar, a dose para a próstata.
  • Dose. Foram notificados problemas duradouros depois das doses de 1 mg e de 5 mg. No Reino Unido, as notificações vêm mais da dose de 1 mg, embora a de 5 mg seja mais receitada. A agência britânica de medicamentos (MHRA) diz que isso “não significa necessariamente um nível de risco diferente” (em inglês).
  • Tempo de uso. Em um levantamento da PFS Network com os próprios membros, pouco mais da metade das 427 pessoas que responderam (em inglês) tinha usado finasterida por 200 dias ou menos. Por outro lado, em um estudo com prontuários nos EUA (em inglês), homens jovens que a usaram por mais de 205 dias tiveram mais disfunção erétil duradoura do que quem usou menos.
  • Sexo. A finasterida não é aprovada para mulheres no Reino Unido. Na busca da MHRA de 2023 (em inglês), todas as notificações britânicas de efeitos colaterais sexuais que informavam o sexo vieram de homens. Não encontramos nenhum estudo sobre efeitos colaterais duradouros em mulheres.
  • Histórico de saúde mental. Alguns estudos (em inglês) encontraram mais chance de efeitos colaterais em quem tinha histórico pessoal ou familiar de doença mental. A MHRA observa, porém, que muitos eram pequenos e dependiam da memória das pessoas.

Ninguém sabe por que algumas pessoas são afetadas e outras não, e nenhum exame consegue prever quem será.

A PFS é comum? Ninguém mediu

Ninguém sabe qual é a frequência da PFS. As agências reguladoras têm centenas de notificações, mas ninguém mediu uma taxa.

Durante o uso da finasterida, a bula britânica classifica a queda do desejo sexual e a depressão como “incomuns” (em inglês): de 1 em 1.000 a 1 em 100 pessoas. Para problemas depois da interrupção, não dá nenhum número.

O que é notificado

  • Uma análise de 2025 (em inglês) da base de notificações da FDA contou 11.557 notificações entre 2004 e abril de 2024 que apontavam a finasterida como o principal medicamento suspeito. Elas cobrem todo tipo de efeito colateral, não só os sexuais.
  • Até abril de 2024, a MHRA tinha 426 notificações ao Yellow Card (em inglês), o sistema britânico de notificação, sobre problemas sexuais com a finasterida. Em quase metade, o desfecho foi registrado como “não recuperado” ou “não resolvido”.

Por que não existe uma taxa

Uma taxa precisa de dois números: quantas pessoas têm PFS e quantas tomaram finasterida. Nenhum dos dois é conhecido; a MHRA chama isso de “falta de denominador” (em inglês). A finasterida 1 mg não é receitada pelo NHS, o sistema público de saúde britânico, então “não há números precisos de prescrições” (em inglês).

Os ensaios clínicos “não incluem rotineiramente um acompanhamento” (em inglês) para verificar se os efeitos colaterais sexuais passaram, escrevem os autores dos critérios. Em 2012, a FDA não conhecia nenhum estudo controlado “para determinar sua causa ou duração” (em inglês).

Os estudos que tentaram

  • Os ensaios clínicos. Durante o tratamento, 3,8% dos homens que tomavam finasterida (em inglês) relataram um efeito colateral sexual, contra 2,1% dos que tomavam placebo (um comprimido sem princípio ativo). Com base nesses ensaios, a FDA diz que “só uma pequena porcentagem dos homens” é afetada.
  • Prontuários médicos. Um estudo americano de 2017 (em inglês) analisou 11.909 homens que receberam finasterida ou dutasterida. Desses, 167 (1,4%) tiveram disfunção erétil que durou pelo menos 90 dias depois da interrupção. Entre 4.284 homens de 16 a 42 anos que tomavam a dose para queda de cabelo, foram 34 (0,8%).
  • Os limites desse estudo. Um único sistema de saúde dos EUA, só a disfunção erétil que um médico registrou e tratou, e nenhuma demonstração de causa. Não é uma taxa de PFS.

A MHRA acrescenta que a atenção da mídia e o efeito “nocebo” (em inglês), sintomas causados pela expectativa de um dano, podem aumentar as notificações. Um estudo com grupo de comparação, que acompanhasse as pessoas depois que elas parassem de tomar o remédio, responderia à pergunta.

Por isso, se alguém disser a você que o risco é mínimo, ou que é enorme, pergunte de onde veio o número.

O que as agências reguladoras fizeram: alertas, não reconhecimento

As agências reguladoras do Reino Unido e dos EUA alertam que os efeitos colaterais sexuais da finasterida podem continuar depois da interrupção. Nenhuma reconheceu a PFS como doença. Quando pacientes pediram esse reconhecimento, a MHRA disse que isso “não está na alçada da MHRA” (em inglês).

1992-1999

Aprovada, com efeitos colaterais sexuais na bula

Os EUA aprovam a dose de 5 mg em 1992 e a de 1 mg em 1997; o Reino Unido autoriza a de 1 mg em 1999. Nos ensaios, os efeitos colaterais sexuais que constam das bulas “desapareceram nos pacientes que pararam”.

2010-2013

Reino Unido: problemas que persistiram depois de parar

A bula britânica passa a incluir notificações de disfunção erétil que persistiu depois da interrupção (2010) e, depois, de queda do desejo sexual e problemas de ejaculação (2013).

2011-2012

EUA: problemas que continuaram depois de parar

As bulas americanas incluem a disfunção erétil que “continuou depois da descontinuação do medicamento” (2011) e, depois, distúrbios da libido, da ejaculação e do orgasmo (abril de 2012). Das 421 notificações que a FDA analisou, 59 duraram 3 meses ou mais. Relações causais claras “NÃO foram estabelecidas”, diz a FDA.

Maio de 2017

Reino Unido: depressão e pensamentos suicidas

A MHRA relata depressão e, “em casos raros, pensamentos suicidas”. Os médicos devem recomendar que a dose de 1 mg seja interrompida “imediatamente” se surgir depressão.

2022

EUA: depressão e pensamentos suicidas na bula

Depois de uma determinação da FDA em maio de 2022, a bula do Propecia lista “depressão, ideação e comportamento suicidas” entre os efeitos colaterais notificados depois da aprovação.

Abril de 2024

Reino Unido: um cartão do paciente em cada caixa

A revisão da MHRA conclui que os efeitos colaterais estão na bula, mas “não são bem conhecidos por quem receita e pelos pacientes”. Um cartão em cada caixa agora diz que eles podem continuar depois da interrupção.

2024-2025

UE: pensamentos suicidas confirmados

Uma revisão da UE, aberta a pedido da França, confirma os pensamentos suicidas como efeito colateral dos comprimidos de finasterida. A frequência é “desconhecida”. As caixas de 1 mg passam a ter um cartão do paciente.

Abril de 2025

EUA: um alerta sobre sprays manipulados

A FDA relata 32 casos, de 2019 a 2024, com sprays de finasterida manipulados em farmácia. A maioria dos relatos dizia que os problemas “continuaram a persistir depois da descontinuação do produto”.

Maio de 2026

Reino Unido: alertas mais fortes

A MHRA informa que a finasterida “está associada a depressão, ideação suicida e disfunção sexual que pode persistir depois da interrupção do tratamento”. A bula da dose de 1 mg agora alerta que os problemas sexuais podem contribuir para o humor deprimido.

Onde os alertas deixam a desejar

No Reino Unido, a finasterida 1 mg não é receitada pelo NHS. Ela vem de clínicas particulares ou, “com mais frequência” (em inglês), de farmácias on-line. Regular as farmácias “não está na alçada da MHRA”; quem define os padrões delas é o General Pharmaceutical Council.

A MHRA constatou que algumas farmácias on-line fazem triagem e acompanhamento rigorosos dos pacientes, e “outras não”. Na nossa opinião, é aqui que os alertas são mais fracos. O cartão do paciente chega depois da decisão de tomar o remédio, e a orientação pressupõe que quem receita conheça o seu histórico e acompanhe o seu humor.

A finasterida é segura? O que concluem as agências reguladoras

Em 2025, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) concluiu que os benefícios da finasterida e da dutasterida “continuam a superar os riscos em todos os usos aprovados” (em inglês). Nenhuma agência reguladora consegue dizer ainda com que frequência o dano duradouro acontece.

Até 31 de maio de 2025, a MHRA tinha 170 notificações de pensamentos suicidas (em inglês) e termos relacionados com a finasterida, e 19 notificações de morte por suicídio. São notificações, não uma taxa. A MHRA acrescenta que uma notificação “não significa necessariamente que o medicamento causou a reação”.

Se esse assunto toca você de perto, o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.

O que a pesquisa mostra e quais são seus limites

Há pouca pesquisa sobre a PFS, e a maior parte vem de poucos grupos. Esses estudos encontraram diferenças em homens com PFS, mas “não está claro se elas já existiam antes do tratamento” (em inglês).

A primeira série de casos (2011)

Médicos da George Washington University entrevistaram 71 homens cujos efeitos colaterais sexuais tinham durado pelo menos 3 meses depois de parar. Deles, 94% tinham libido baixa e 92%, disfunção erétil, em média por 40 meses.

Homens escolhidos por terem sintomas duradouros, sem grupo de comparação. Os autores citam viés de seleção (quem participou) e viés de memória (depender da lembrança).

Depressão em quem já tomou (2012)

Das 61 pessoas que tinham tomado finasterida e ficaram com efeitos colaterais sexuais duradouros, 46 (75%) tinham sintomas de depressão. O mesmo aconteceu com 3 de 29 homens (10%) com queda de cabelo que nunca tinham tomado finasterida.

Estudo pequeno, e quem já tinha tomado foi escolhido por ter sintomas duradouros. A depressão foi medida por questionário. Um padrão, não uma taxa.

Nenhuma deficiência hormonal encontrada (2016)

Uma equipe de Harvard comparou 25 homens com sintomas duradouros, 13 que tomaram finasterida sem ter sintomas e 18 que nunca tomaram. A testosterona e a DHT não diferiam. Os homens com sintomas relatavam mais depressão e problemas de raciocínio, mas tiveram resultados normais nos testes cognitivos.

Estudo pequeno e com uma única medição, então não pode mostrar causa. Financiado em parte pela Post-Finasteride Syndrome Foundation, uma organização sem fins lucrativos que apoia pesquisas.

Hormônios do cérebro e um gene (2017, 2019)

Uma equipe de Milão estudou o líquor (o líquido que envolve o cérebro e a medula) de 16 homens com PFS. Hormônios que agem no cérebro (esteroides neuroativos) estavam alterados. O gene da enzima que a finasterida bloqueia tinha com mais frequência uma marca química que pode silenciá-lo: 9 de 16 homens, contra 1 de 13 homens saudáveis.

Estudos-piloto pequenos. Os autores “não podem concluir” se o padrão genético já existia antes da finasterida.

Atividade dos genes na pele do pênis (2021)

Uma equipe americana comparou a pele do pênis de 26 homens com sintomas de PFS e de 26 homens submetidos à circuncisão. Nos homens com PFS, 3.764 genes estavam mais ou menos ativos, incluindo o gene do receptor de andrógenos (que responde à testosterona).

Um único tecido, nenhuma amostra de antes do remédio, e os homens podem não ser típicos. Os autores dizem que o estudo não pode mostrar causa.

Estudos em ratos (2025 e 2026)

Ratos que receberam finasterida por 20 dias mudaram pouco durante o uso, mas desenvolveram inflamação no intestino e no cérebro e comportamento ansioso depois da interrupção. Em 2025, a alopregnanolona, um hormônio que o corpo produz, reduziu várias das alterações inflamatórias.

Ratos, não pessoas, depois de um tratamento curto. São os dois primeiros estudos do Milano Project, para o qual o SIDEfxHUB arrecada recursos.

A maioria desses estudos mediu pequenos grupos de homens com PFS uma única vez, depois do remédio. Acompanhar as pessoas desde antes de começarem mostraria quais mudanças vieram primeiro.

Como a PFS é diagnosticada

Não existe exame para a PFS. O diagnóstico é feito a partir do seu histórico, com base nos critérios de 2022: o que você tomou, quando e o que mudou.

Pode ser que seu médico ou sua médica nunca tenha ouvido falar dela. Os autores dos critérios escrevem que essas doenças são “pouco conhecidas e mal compreendidas pelos profissionais de saúde” (em inglês).

O que levar à consulta

  • O cartão do paciente que vem na caixa, se você tiver: ele diz que esses efeitos podem continuar.
  • Uma cópia impressa dos critérios de 2022 (em inglês), que podem ser lidos de graça.
  • A sua dose e, mais ou menos, quando você começou e quando parou.
  • O que mudou, e quando. Diga se começou ou continuou depois que você parou.
  • Qualquer mudança no humor, mesmo que pareça não ter relação.
  • Outros remédios, antigos e atuais, principalmente antidepressivos ou isotretinoína.

O que pode ser descartado, e por que isso é justo

Os critérios exigem que nenhuma outra doença, remédio ou droga explique os seus sintomas. Por isso, outras causas podem ser investigadas primeiro. Isso faz parte de um diagnóstico bem feito, não é sinal de descrença.

Exames de sangue normais não resolvem a questão, nem para um lado nem para o outro. Níveis hormonais limítrofes podem ser “uma consequência das doenças, e não uma causa” (em inglês), escrevem os autores dos critérios.

Tratamento e recuperação da PFS

Não existe tratamento aprovado para a PFS. Em setembro de 2026, não encontramos nenhum ensaio clínico de tratamento registrado no ClinicalTrials.gov (em inglês).

O que a pesquisa está testando

Um programa busca chegar a um possível tratamento: o Milano Project, na Universidade de Milão, liderado pelo professor Roberto Melcangi, para o qual o SIDEfxHUB arrecada recursos. Em ratos, a alopregnanolona reduziu várias alterações (em inglês) observadas depois que a finasterida foi interrompida.

A alopregnanolona ainda não foi testada em pessoas com PFS.

A PFS é permanente?

Ninguém sabe. A PFS “pode permanecer por meses, anos ou indefinidamente” (em inglês) depois que o remédio é interrompido, escrevem os autores dos critérios. Quantas pessoas se recuperam por completo “nunca foi investigado de forma adequada”.

Um estudo de acompanhamento de 2012 (em inglês) reavaliou 54 homens de 9 a 16 meses depois, e 96% ainda tinham sintomas. Mas eles foram escolhidos porque os sintomas já duravam, então o estudo não diz quais são as suas chances.

Como a recuperação nunca foi estudada de forma adequada, ninguém pode dizer a você com honestidade que a PFS é permanente, nem que vai passar. Veja também o artigo a recuperação completa da PFS é possível?

Como avaliar uma oferta de tratamento

Você pode encontrar tratamentos oferecidos pela internet ou em clínicas particulares. Não recomendamos nenhum. Estas perguntas ajudam você e seu médico ou sua médica a avaliar uma oferta:

  • O tratamento foi testado em pessoas com PFS, com grupo de comparação? Ou só em relatos de caso, histórias de pacientes ou animais?
  • Quais são os efeitos colaterais do próprio tratamento, e o que acontece quando você para?
  • Quanto custa, e quem recomenda também vende?
  • Seu médico ou sua médica vai saber que você está usando?

Se você acha que tem PFS

Se você se reconhece nisso, leve a sério. O que você descreve está nas bulas do Reino Unido e dos EUA, e as agências reguladoras têm um termo para isso nas notificações de efeitos colaterais.

Não pare nem mude nenhum remédio por causa de qualquer informação desta página. A MHRA faz uma exceção. Se você toma finasterida 1 mg e passa a ter depressão ou pensamentos suicidas, ela diz para parar de tomar (em inglês) e procurar seu médico ou sua médica o quanto antes.

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Converse com quem receitou o remédio

Ou com um clínico geral, no SUS ou no seu plano de saúde, esteja você ainda tomando finasterida ou tenha parado há anos. Leve a lista da seção de diagnóstico, acima, e veja o que fazer se você acha que tem PFS.

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Notifique

No Brasil, notifique à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo VigiMed; no Reino Unido, use o sistema Yellow Card (em inglês) e, nos EUA, o MedWatch (em inglês). Você não precisa comprovar nada, e nenhum médico precisa concordar. Veja também notificar efeitos da finasterida: Yellow Card e Anvisa ou, para outros países, nosso guia para notificar efeitos colaterais.

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Cadastre-se no registro

Fazer seu cadastro no registro de pacientes do SIDEfxHUB leva cerca de três minutos, e você não precisa de diagnóstico. Uma notificação mostra um único momento. O registro acompanha o que acontece ao longo de meses e anos.

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Encontre outras pessoas

Nossos grupos de apoio no WhatsApp são pequenos e privados, e abertos a qualquer pessoa cadastrada no registro.

Código MedDRA 10082430, termo em inglês: Post 5-alpha-reductase inhibitor syndrome. Ao notificar, escreva esse termo exatamente assim no campo de texto livre e depois descreva seus sintomas com suas palavras. Diga se eles continuaram ou começaram depois que você parou. “Síndrome pós-finasterida” é o nome que os pacientes usam e não está no dicionário.

Se você está passando por um momento difícil: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br. Se você está em perigo agora, ligue para o SAMU no 192.

O que o SIDEfxHUB faz

O SIDEfxHUB é uma associação britânica de pacientes, registrada como organização beneficente (registered charity 1203385), para pessoas que convivem com PFS, PSSD e PAS. Financiamos pesquisas, lutamos pelo reconhecimento dessas doenças e apoiamos os pacientes.

  • O registro. Nosso registro de pacientes acompanha as pessoas ao longo de meses e anos. Quem está nele escolheu se cadastrar, então ele não pode dizer com que frequência a PFS acontece. Ele pode mostrar como os sintomas mudam com o tempo, algo que uma notificação isolada não mostra.
  • Pesquisa. Arrecadamos recursos para o Milano Project, na Universidade de Milão, que estuda o que a finasterida e os ISRS mudam no corpo. Os dois estudos publicados até agora foram feitos em ratos.

Fontes

Todas as fontes abaixo foram conferidas em 26 de setembro de 2026. Estão em inglês, e as citações desta página foram traduzidas do inglês.

Com as próprias palavras

Três homens contam o que aconteceu, em entrevistas ao canal Moral Medicine. Cada relato mostra a experiência de uma pessoa, não com que frequência a PFS acontece.

Dois anos depois, nas palavras dele

Ele parou de tomar finasterida esperando que os sintomas neurológicos sumissem. Em vez disso, descreve um crash (uma piora súbita e intensa) e sintomas novos, mais de dois anos depois.

Sam

Sam descreve os efeitos colaterais que teve enquanto tomava finasterida para queda de cabelo e os que continuaram depois que parou.

Ryan

Ryan fala sobre tomar finasterida para queda de cabelo e sobre os efeitos colaterais que ficaram com ele depois que parou.

Registro de PFS, PSSD, PAS

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