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Antidepressivos e jovens: os números

Para jornalistas que cobrem antidepressivos e menores de 25 anos na Inglaterra: de onde vêm os números do NHS e o que eles não conseguem dizer.

Antidepressivos e jovens: os números

Vai escrever sobre antidepressivos e jovens no Reino Unido? Mais de 600.000 pessoas com menos de 25 anos na Inglaterra receberam a receita de um antidepressivo pelo NHS, o serviço público de saúde britânico, em 2025/26, pela nossa soma das faixas etárias oficiais. Ninguém conta quantas ficam com problemas sexuais que continuam depois do último comprimido.

Essa mudança duradoura pode fazer parte da disfunção sexual pós-ISRS (PSSD), e as bulas britânicas já alertam que ela pode acontecer.

Jevin tinha 11 anos quando um psiquiatra receitou a ele sertralina (Zoloft). “Minha mãe não sabia de nada. Eu não sabia de nada”, diz ele. Ele tinha 26 anos quando contou sua história diante da câmera, e conta a PSSD dele a partir dessa primeira receita.

Um trecho da entrevista de Jevin à Moral Medicine, julho de 2024, de 3:39 a 4:11, em inglês. Ele tomou vários outros remédios até mais ou menos os 25 anos. As opiniões são dele. Mais adiante no filme, ele fala de pensamentos suicidas. Se você está passando por um momento difícil: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.

Os números de receitas são públicos. O outro número nunca foi levantado.

Quantos jovens tomam antidepressivos na Inglaterra?

O número de menores de 25 anos citado acima vem da NHS Business Services Authority (em inglês), que publicou os dados de 2025/26 em 23 de julho de 2026. Ela dá os pacientes por faixa etária, e nós somamos as faixas abaixo de 25 anos. Considerando todas as idades, cerca de 9,1 milhões de pessoas receberam um antidepressivo pelo NHS naquele ano.

A maioria dos menores de 25 anos tinha de 20 a 24 anos. O maior grupo isolado era bem mais velho: mulheres de 55 a 59 anos.

Três limites importam se você citar esse número. Ele conta as pessoas que receberam qualquer antidepressivo naquele ano, por qualquer motivo, e não só ISRS. Ele deixa de fora as receitas particulares e os remédios entregues pelas farmácias dos hospitais. E não diz nada sobre quando cada pessoa começou.

Os jovens foram perguntados sobre efeitos sexuais?

Não de forma rotineira. Dois pesquisadores de psiquiatria da infância e da adolescência da Universidade Columbia analisaram os grandes ensaios clínicos desses remédios em adolescentes. “Os ensaios não avaliaram rotineiramente sintomas e efeitos colaterais sexuais”, escreveram em 2015 (em inglês). Eles não conheciam nenhum questionário feito para perguntar a adolescentes sobre sexo.

Na Inglaterra, a orientação do NICE (em inglês), o órgão que publica as diretrizes clínicas do NHS, diz que menores de 18 anos com depressão moderada a grave só devem receber a oferta de um antidepressivo junto com psicoterapia, depois da avaliação de um psiquiatra da infância e da adolescência. Os jovens e os pais “devem ser informados sobre” os “possíveis efeitos colaterais”. A orientação não cita os efeitos sexuais entre eles.

Jevin diz que foi difícil saber quando os próprios sintomas sexuais começaram, porque ele “estava entrando na puberdade naquela época”.

A bula britânica da fluoxetina (em inglês), aprovada para depressão a partir dos 8 anos, alerta que, em alguns casos, os sintomas sexuais “continuaram depois de parar o tratamento”. Esse parágrafo não cita nenhuma idade. Para quem tem de 8 a 18 anos, ela acrescenta que a fluoxetina “pode desacelerar o crescimento ou possivelmente atrasar a maturação sexual”.

Quantos têm problemas sexuais depois de parar?

Ninguém sabe. “A incidência dessas doenças é desconhecida”, dizem os critérios diagnósticos de 2022 (em inglês), escritos por um grupo internacional de médicos e pesquisadores.

Uma revisão de 2024 (em inglês) explica por que isso não foi contado. Os estudos das empresas raramente acompanham as pessoas depois para verificar efeitos colaterais duradouros, dizem os autores, e os casos não estão sendo registrados direito nos prontuários. Os dados de receitas contam comprimidos, não o que acontece depois.

A PSSD é mais do que um problema sexual. Os critérios descrevem uma mudança duradoura na sensibilidade genital, muitas vezes dormência, e dizem que o embotamento emocional e problemas cognitivos podem vir junto.

Em outubro de 2026, a agência britânica de medicamentos disse que o termo PSSD será incluído (em inglês) nas bulas de dez antidepressivos. O comunicado não dá nenhum número sobre a frequência e não trata da idade. O que a MHRA, a EMA e a FDA dizem sobre a PSSD traz os detalhes.

O que posso fazer?

Esses remédios ajudam muita gente. Se você tem efeitos colaterais, o que fazer é uma decisão sua e de quem receitou o remédio. Não pare de uma vez.

Se você é jornalista, cite o ano fiscal e quem publicou os dados, e diga que as contagens de pacientes são estimativas. Pais e mães encontram ajuda prática em antidepressivos em adolescentes: efeitos sexuais.

Notifique: isso ajuda todo mundo

O que o seu médico ou a sua médica anota ajuda você. Uma notificação à agência reguladora ajuda todas as outras pessoas: é assim que os padrões aparecem.

  • Não precisa de prova. Basta suspeitar, mesmo anos depois de ter parado.
  • Onde: no Brasil, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo VigiMed; no Reino Unido, pelo sistema Yellow Card; nos EUA, pelo MedWatch. Pais e cuidadores também podem notificar.
  • Use as palavras certas. Se os sintomas continuaram depois de parar, escreva Disfunção sexual pós-ISRS (Post-SSRI sexual dysfunction, MedDRA 10086208). Informe a idade em que o remédio começou, além da idade atual.

Nosso guia para notificar efeitos colaterais mostra como fazer

O que mais as pessoas perguntam?

Quantas crianças tomam antidepressivos na Inglaterra? Cerca de 63.600 com 17 anos ou menos (em inglês) receberam a receita de um pelo NHS em 2025/26. Foi o primeiro aumento no número de pacientes crianças desde 2021/22. Entre os jovens de 15 a 19 anos, a maioria era de meninas.

Os números incluem receitas particulares? Não. Os dados do NHS cobrem as receitas aviadas fora dos hospitais na Inglaterra. Eles não incluem receitas de médicos particulares, de presídios ou de farmácias de hospital.

As notificações ao Yellow Card mostram quão comum é a PSSD? Não. Um número de notificações não é uma taxa: não diz quantas pessoas tomaram o remédio, nem quantas nunca notificaram. Dados do Yellow Card: consulte um remédio explica o que as notificações podem dizer.

A PSSD e as outras síndromes começam cedo? Algumas pessoas, como Jevin, dizem que a delas começou cedo, mas poucos registros anotam a idade em que começou. Síndromes pós-medicamento: começam antes dos 25? analisa as evidências.

Jevin tinha 11 anos na primeira receita e 26 diante da câmera. Se você notificar, informe as duas idades. Leia mais sobre a PSSD.

Fontes

  1. NHS Business Services Authority, Medicines Used in Mental Health, England, 2016/17 to 2025/26: antidepressant drugs (em inglês) (seção 4.3 do BNF), publicado em 23 de julho de 2026. Lido em 6 de novembro de 2026. “Na Inglaterra, em 2025/26, 96 milhões de itens de antidepressivos foram receitados a cerca de 9,1 milhões de pacientes identificados”. Também: “Houve 63.600 pacientes identificados com 17 anos ou menos que receberam antidepressivos em 2025/26, um aumento de 1,6% em relação a 2024/25. É o primeiro aumento no número de pacientes crianças desde 2021/22”. O resumo acrescenta que “71% dos pacientes identificados na faixa de 15 a 19 anos eram do sexo feminino”. Diz também: “Pacientes do sexo feminino de 55 a 59 anos foram o maior grupo entre todas as faixas de idade e sexo”. Tabela 4 (pacientes com idade e sexo conhecidos, 99,2%), 2025/26: de 0 a 24 anos, 624.463 no total, dos quais 437.016 tinham de 20 a 24 anos. Essa soma é nossa. Notas de contexto, MUMH background (em inglês), lidas em 6 de novembro de 2026: os dados cobrem receitas aviadas fora dos hospitais; “receitas emitidas em hospitais e atendidas pela farmácia do hospital não estão incluídas”. Os dados “não incluem remédios usados na atenção secundária, em presídios ou receitados por médicos particulares”.
  2. NICE, Depression in children and young people: identification and management (em inglês), diretriz NG134, publicada em 25 de junho de 2019. Lida em 6 de novembro de 2026. Recomendação 1.6.14: “Não ofereça antidepressivo a uma criança ou jovem com depressão moderada a grave, exceto em combinação com psicoterapia concomitante.” 1.6.15: um antidepressivo “só deve ser receitado depois de avaliação e diagnóstico por um psiquiatra da infância e da adolescência”. 1.6.17: a criança ou o jovem e os pais ou cuidadores “devem ser informados sobre a justificativa do tratamento com o remédio, a demora até o efeito começar, a duração do tratamento, os possíveis efeitos colaterais e a necessidade de tomar o remédio como receitado”. A página de recomendações não menciona efeitos colaterais sexuais.
  3. Levine A, McGlinchey E. Assessing sexual symptoms and side effects in adolescents (em inglês). Pediatrics 2015;135(4):e815-7. Um comentário de dois autores, um com formação em psiquiatria (MD) e outro em pesquisa (PhD), da Divisão de Psiquiatria da Infância e da Adolescência da Universidade Columbia. Lido em 6 de novembro de 2026. Sobre os grandes ensaios multicêntricos controlados por placebo em adolescentes (incluindo o Treatment for Adolescents With Depression Study): “os ensaios não avaliaram rotineiramente sintomas e efeitos colaterais sexuais”. “Que saibamos, não existem instrumentos de avaliação específicos para adolescentes que tratem de questões sexuais.”
  4. Fluoxetine 20 mg hard capsules, bula para pacientes (em inglês) (Reino Unido), Brown & Burk UK Ltd, Electronic Medicines Compendium (EMC 15755), revisada pela última vez em setembro de 2022. Lida em 6 de novembro de 2026. Seção 1: para crianças e adolescentes a partir de 8 anos com depressão moderada a grave. Seção 2, “Disfunção sexual”: “Remédios como a fluoxetina (os chamados ISRS) podem causar sintomas de disfunção sexual (ver seção 4). Em alguns casos, esses sintomas continuaram depois de parar o tratamento.” O parágrafo não cita nenhuma idade. Seção 4, crianças e adolescentes (de 8 a 18 anos): “A fluoxetina pode desacelerar o crescimento ou possivelmente atrasar a maturação sexual.”
  5. Healy D, Bahrick A, Bak M e colegas. Diagnostic criteria for enduring sexual dysfunction after treatment with antidepressants, finasteride and isotretinoin (em inglês). Int J Risk Saf Med 2022;33(1):65-76. Lido em 6 de novembro de 2026. Introdução: “A incidência dessas doenças é desconhecida.” Seção 3, PSSD: “Uma mudança duradoura na sensibilidade genital somática (tátil) ou erógena (sexual) depois que o tratamento termina”; “Os sintomas não sexuais associados podem incluir: embotamento emocional”, com comprometimento cognitivo. Critérios propostos por acordo entre especialistas.
  6. Healy D, Mangin D. Post-SSRI sexual dysfunction: barriers to quantifying incidence and prevalence (em inglês). Epidemiol Psychiatr Sci 2024;33:e40. Lido em 6 de novembro de 2026. A PSSD ocorre “em um número indeterminado de pacientes”; “Os estudos da indústria farmacêutica raramente incluem um acompanhamento para verificar efeitos colaterais duradouros”; “esses casos não estão sendo registrados adequadamente nos prontuários”.
  7. MHRA, Antidepressants: new safety measures for all patients to improve communication of the risk of suicidal thoughts and behaviours and persistent sexual dysfunction (em inglês), Drug Safety Update, volume 20, edição 3, 15 de outubro de 2026. Lido em 6 de novembro de 2026. “O termo ‘Post SSRI Sexual Dysfunction’ (‘PSSD’) será incluído nas bulas dos antidepressivos associados a um risco de disfunção sexual que pode continuar mesmo depois que o remédio é interrompido”. A nota de rodapé 1 lista dez remédios. O comunicado não dá nenhum número de frequência e não trata da idade.
  8. Moral Medicine, 15 Years of Suffering: Jevin’s Battle with PSSD (em inglês), 1 de julho de 2024 (41 minutos; o título é do canal), incorporado aqui de 3:39 a 4:11. Das legendas automáticas do YouTube. “Começa aos 11 anos, então agora tenho 26”, contados como 15 anos (0:00 a 0:07). Aos 11 anos, foi a um psiquiatra e começou o Zoloft (3:39 a 4:00). “Minha mãe não sabia de nada, eu não sabia de nada” (4:07 a 4:11). Vieram muitos outros remédios, “até mais ou menos os 25” (4:23 a 4:39). Sobre quando os sintomas sexuais começaram: “é meio difícil saber, na verdade… eu estava entrando na puberdade naquela época” (8:20 a 8:34). A história dele no nosso site: Jevin: a primeira receita aos 11 anos.
  9. MHRA, Yellow Card, How to report (em inglês). Lido em 6 de novembro de 2026. O sistema depende de notificações “do público (incluindo pacientes, pais e cuidadores)”. “Você pode notificar em seu próprio nome ou por outra pessoa, com a permissão dela.”
  10. Termo do MedDRA Post-SSRI sexual dysfunction, código 10086208.

Fontes verificadas em 6 de novembro de 2026. Redação e revisão assistidas por IA, não revisão clínica. Todas as citações foram traduzidas do inglês.

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