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PSSD e relacionamentos: depois do crash

A PSSD pode mudar o toque, o desejo e os sentimentos, e continuar depois de parar. Como contar a parceiro, família e médico, e o que fazer se duvidarem.

O SIDEfxHUB é uma organização beneficente de pacientes. Não somos profissionais de saúde, e isto não substitui orientação médica. Não comece, pare nem mude nenhum remédio por causa do que você leu aqui. Converse antes com seu médico ou sua médica.

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Por Morten SkovPublicado Atualizado
PSSD e relacionamentos: depois do crash

A disfunção sexual pós-ISRS (PSSD) pode continuar depois de parar um antidepressivo ISRS ou IRSN, e muitas vezes muda os relacionamentos, não só o sexo. O que mais ajuda é explicá-la cedo e em palavras simples para as pessoas mais próximas.

A PSSD é mais do que problemas sexuais. Os critérios de 2022 descrevem uma mudança duradoura na sensibilidade genital, muitas vezes dormência, e também embotamento emocional, dificuldade para pensar e mudanças em outros sentidos. Seu parceiro ou sua parceira pode notar o vazio antes de qualquer outra coisa.

A bula britânica do Cipralex (escitalopram) diz que, em alguns casos, os problemas sexuais “continuaram depois de interromper o tratamento” (em inglês). Essa frase pode ser um bom ponto de partida para uma conversa difícil.

Como conto ao meu parceiro ou à minha parceira que tenho PSSD?

Comece pelo que mudou para você e depois dê um nome a isso. Por exemplo: “Desde que comecei os comprimidos, o toque parece dormente e não sinto as coisas como antes. Não é por sua causa. Tem nome, e está na bula.”

Curto e específico funciona melhor do que uma explicação longa. Seu parceiro ou sua parceira pode ouvir “sexo” e não ouvir o resto, então diga em voz alta as outras partes: sentir-se vazio, ter dificuldade para se concentrar ou não sentir amor tão forte quanto você sabe que deveria.

Mostrar a frase da bula ou nossa página sobre a PSSD pode tirar um pouco do peso de você. Dá para ler com calma e voltar com perguntas.

De fora, pode parecer que você deixou de desejar a outra pessoa. Menos desejo, menos reação ao toque e um humor mais apagado são fáceis de levar para o lado pessoal.

Ajuda dar nome à diferença entre o que você sente e o que gostaria de sentir. “Eu quero te querer” é uma frase que muitos casais acham útil. Ela diz que o problema é a mudança em você, e que você não a escolheu.

A entrevista do Nick mostra isso por dentro de um relacionamento. Ele descreve o embotamento emocional depois dos ISRS e a namorada ao lado dele. Diz que ainda consegue mostrar emoções no rosto. “Mas eu não sinto.” Assista junto com seu parceiro ou sua parceira se faltarem palavras. É a história de uma pessoa e não mostra como isso é comum. O vídeo é em inglês; não verificamos se há legendas em português.

Nick descreve o embotamento emocional depois dos ISRS e o apoio da namorada. Entrevista da Moral Medicine, maio de 2023, 30 minutos, em inglês. O vídeo menciona suicídio uma vez. Se você está passando por um momento difícil: o CVV atende no telefone 188, ligação gratuita, 24 horas por dia, e no chat em cvv.org.br.

E se um médico disser que o problema é o relacionamento?

Algumas pessoas com PSSD ouviram que o problema era o parceiro ou a parceira. Em um estudo de 2019 com 62 pessoas que tinham notificado a PSSD a um site de segurança de medicamentos, uma ouviu “talvez você devesse trocar de parceiro”. Outra ouviu “que eu devia trocar de namorado”.

Essas pessoas foram recrutadas por esse site, então o estudo não mostra com que frequência isso acontece. Ele mostra que esse conselho é dado e que outras pessoas também o ouviram.

Se os sintomas começaram com um remédio ou continuaram depois que você parou, diga isso com clareza. Leve as datas. Seu parceiro ou sua parceira também pode ir à consulta e contar o que percebeu.

Três perguntas para seu médico ou sua médica

  1. Meu remédio, atual ou passado, poderia explicar essas mudanças?
  2. Já ouviu falar de PSSD? Está na bula.
  3. O que podemos verificar, e qual é o próximo passo se nada mudar?

Você pode começar assim: “Essas mudanças começaram com os comprimidos e não pararam quando eu parei.”

Como explico a PSSD para a família e os amigos?

Conte o que eles vão perceber, não o detalhe médico. “Estou com mais cansaço e menos ânimo do que antes, e é um efeito colateral de um remédio que continuou” basta para a maioria.

Você decide quanto contar. Seus pais não precisam ouvir sobre sexo para entender que você está sofrendo. Amigos próximos podem querer saber mais, e você pode indicar nossa página sobre a PSSD.

Se alguém duvidar, saiba que muita gente diz que demorou a ser levada a sério, em casa e também pelos médicos. Muitas vezes as pessoas duvidam porque nunca ouviram falar de PSSD.

Dê às pessoas algo que elas possam conferir: a frase da bula, a página da doença ou o vídeo de alguém que a descreve. Às vezes as mesmas palavras, ditas por um desconhecido, são ouvidas de outro jeito.

Você não precisa convencer todo mundo. Alguns amigos podem se afastar. Ponha sua energia em quem escuta e em outras pessoas que vivem isso na pele. Nossa comunidade é um lugar para encontrá-las.

Rosie, presidente da PSSD Network, fala de como é viver com PSSD na entrevista dela no nosso site. Este trecho pode mostrar à família que a PSSD é real e que dura. A entrevista é em inglês; não verificamos se há legendas em outros idiomas.

Um trecho (de 25:48 a 29:12) da entrevista de Rosie à Moral Medicine, de julho de 2024, em inglês. Rosie é presidente da PSSD Network; as opiniões são dela.

O que posso fazer agora?

Esses remédios ajudam muita gente. Se você tem efeitos colaterais, o que fazer é uma decisão sua e de quem receitou o remédio. Não pare de uma vez.

Faça uma anotação curta que você possa mostrar: “Sertralina 50 mg desde janeiro de 2023, último comprimido em março de 2024. Desde então: dormência genital, sensação de vazio, pouca concentração.” Ela ajuda na consulta e mostra ao seu parceiro ou à sua parceira com o que você está lidando.

Notifique: isso ajuda todo mundo

O que o médico anota no prontuário ajuda você. Uma notificação à agência reguladora ajuda todas as outras pessoas: é assim que os padrões aparecem.

  • Não precisa de prova nem de certeza. Basta suspeitar, mesmo anos depois de ter parado. Seu parceiro ou sua parceira não pode notificar por você, mas pode ajudar a preencher.
  • Onde: no Brasil, à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), pelo VigiMed; no Reino Unido, pelo sistema Yellow Card (em inglês); nos EUA, pelo MedWatch. O nosso guia do Yellow Card para a PSSD mostra cada passo.
  • Use as palavras certas. Se os sintomas continuaram depois de parar, escreva Disfunção sexual pós-ISRS (Post-SSRI sexual dysfunction, MedDRA 10086208).

Nosso guia para notificar efeitos colaterais mostra como fazer

O que mais as pessoas perguntam?

Um relacionamento sobrevive à PSSD? Muitos sobrevivem, embora ninguém tenha estudado com que frequência. Casais contam que encontram proximidade de outras formas enquanto o lado físico está difícil. Conversar cedo e dar nome à doença parece ajudar mais do que esperar que passe.

Meu parceiro ou minha parceira também deveria procurar apoio? Pode ajudar. Quem está ao seu lado carrega parte disso e talvez precise de um lugar para conversar que não seja com você. Um profissional de terapia de casal pode ajudar vocês dois a dizer coisas difíceis.

A namorada do Nick não precisou de todas as respostas para ficar. Se puder, comece por uma pessoa, uma frase sincera e a frase da bula.

Fontes

  1. Healy D, Bahrick A, Bak M e colegas. Diagnostic criteria for enduring sexual dysfunction after treatment with antidepressants, finasteride and isotretinoin (em inglês). Int J Risk Saf Med 2022;33(1):65-76. Critérios propostos. Seção 3: “Uma mudança duradoura na sensibilidade somática (tátil) ou erógena (sexual) dos genitais depois que o tratamento termina”; os sintomas auxiliares não sexuais “podem incluir” “embotamento emocional”, “outros problemas sensoriais” e “comprometimento cognitivo”.
  2. Healy D, Le Noury J, Mangin D. Post-SSRI sexual dysfunction: patient experiences of engagement with healthcare professionals (em inglês). Int J Risk Saf Med 2019;30:167-178. 62 pessoas de 23 países recrutadas pelo RxISK.org. Seção 3.4: participantes P7 e P39, traduzidas do inglês e reproduzidas como foram publicadas.
  3. Lundbeck Limited. Cipralex (escitalopram) patient information leaflet (em inglês), Electronic Medicines Compendium. Seção 2: “In some cases, these symptoms have continued after stopping treatment.” É a bula do Reino Unido; vale para o produto britânico.
  4. GOV.UK. Report a problem with a medicine or medical device (em inglês).
  5. Moral Medicine, PSSD: Man Lives With Complete Sexual And Emotional Blunting (em inglês), maio de 2023.
  6. Moral Medicine, Interview with PSSD Network President Rosie (em inglês), 9 de julho de 2024.

Fontes verificadas em 22 de outubro de 2026. Redação e revisão assistidas por IA, não revisão clínica. Todas as citações foram traduzidas do inglês.

Isto não substitui orientação médica. Converse com seu médico ou sua médica antes de tomar decisões sobre o tratamento.

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