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Finasterida é segura? Riscos e benefícios

Finasterida é segura? Veja os benefícios, os riscos psiquiátricos e sexuais e os efeitos colaterais persistentes (PFS) antes de decidir com seu médico.

PorMorten SkovPublicadoAtualizado

Introdução à finasterida

A finasterida, vendida sob marcas como Propecia e Proscar, é um medicamento muito receitado para a calvície masculina (alopecia androgenética) e para a hiperplasia prostática benigna (HPB), o aumento da próstata. Ela funciona para muita gente, mas já foi associada a uma série de efeitos colaterais, alguns dos quais podem persistir mesmo depois da suspensão. Este artigo quer dar uma visão equilibrada do perfil de segurança da finasterida, para ajudar os pacientes a decidir com informação.

Como a finasterida age

A finasterida é um inibidor da 5-alfa-redutase: ela bloqueia a conversão de testosterona em di-hidrotestosterona (DHT). A DHT tem papel central na queda de cabelo e no crescimento da próstata, então reduzi-la pode ser eficaz nos dois casos. Só que alterar os níveis de DHT também pode afetar outros sistemas do corpo e gerar efeitos colaterais.

Efeitos colaterais comuns da finasterida

Como qualquer medicamento, a finasterida pode causar efeitos colaterais. Os mais comuns são:

  • Disfunção sexual: muita gente relata queda da libido, disfunção erétil e redução do volume ejaculado. Esses sintomas costumam passar depois de parar o remédio, mas algumas pessoas ficam com efeitos colaterais sexuais persistentes.
  • Alterações nas mamas: alguns homens podem ter sensibilidade, aumento das mamas ou ginecomastia (crescimento do tecido mamário), embora esses efeitos sejam relativamente raros.
  • Dor nos testículos: é incomum, mas há quem relate desconforto testicular durante o uso da finasterida.

Riscos graves: depressão, ideação suicida e ansiedade

Um dos riscos mais preocupantes ligados à finasterida é o possível impacto na saúde mental. Algumas pessoas relatam sintomas de depressão, ansiedade e até pensamentos suicidas. Esses sintomas não são comuns, mas foram relevantes o suficiente para que agências reguladoras emitissem alertas:

  • A agência britânica de medicamentos (MHRA) emitiu um alerta sobre efeitos colaterais psiquiátricos e sexuais persistentes ligados à finasterida, inclusive a possibilidade de pensamentos suicidas.
  • A agência francesa de segurança dos medicamentos (ANSM) também recomendou suspender a finasterida caso surjam sintomas psiquiátricos.

Esses alertas reforçam a importância de acompanhar a saúde mental durante o uso da finasterida e de procurar ajuda rápido se aparecerem sintomas. Para mais detalhes, veja o artigo Propecia, depressão e suicídio.

Efeitos colaterais persistentes: a síndrome pós-finasterida (PFS)

Algumas pessoas que tomaram finasterida relatam efeitos colaterais que continuam mesmo depois de parar o remédio, um quadro conhecido como síndrome pós-finasterida (PFS). Os sintomas da PFS podem incluir disfunção sexual persistente, alterações de humor e prejuízo cognitivo. Ainda se sabe pouco sobre a causa exata da PFS, e a comunidade médica segue discutindo sua frequência e seu manejo.

Você quer correr o risco de ter PFS? Você vai estar por conta própria

Para quem desenvolve PFS, as opções de tratamento são limitadas e a doença pode ser difícil de manejar. Infelizmente, muita gente com PFS se vê sem um caminho claro de alívio, diante de uma jornada difícil para lidar com sintomas persistentes.

Estudos científicos sobre a segurança da finasterida

Vários estudos investigaram o perfil de segurança da finasterida, em especial os efeitos colaterais psiquiátricos e sexuais:

  • Melcangi et al. (2013) (em inglês): o estudo mediu os níveis de esteroides neuroativos em quem toma finasterida e encontrou alterações no líquido cefalorraquidiano e no plasma que podem explicar a persistência de sintomas como depressão e ansiedade.
  • Irwig, MS (2012) (em inglês): a pesquisa ligou o uso de finasterida a sintomas depressivos e pensamentos suicidas, mesmo depois da suspensão do remédio.
  • Rahimi-Ardabili et al. (2006) (em inglês): estudo prospectivo que encontrou associações significativas entre a finasterida e sintomas depressivos em quem a tomava, o que reforça a necessidade de cautela ao prescrever.

Perguntas importantes a considerar

Quem está pensando em tomar finasterida deveria refletir sobre estas perguntas antes de começar:

  • Sabemos se a finasterida é segura a longo prazo? Muita gente tolera a finasterida sem efeitos colaterais graves, mas a segurança a longo prazo continua sendo motivo de preocupação, ainda mais diante dos relatos de efeitos persistentes.
  • Dá para confiar na indústria farmacêutica? As empresas são responsáveis por informar os riscos, mas alguns pacientes sentem que riscos como a PFS não foram tratados a fundo. Transparência e dados completos são essenciais para decidir com informação.
  • Dá para confiar nas empresas de telemedicina e nas farmácias on-line? A comodidade da consulta e da receita pela internet levanta dúvidas sobre a avaliação e o acompanhamento adequados, que podem ser decisivos em medicamentos com riscos conhecidos, como a finasterida.

Ações e recomendações das agências reguladoras

Diante do crescente conjunto de evidências sobre os efeitos colaterais da finasterida, as agências reguladoras tomaram algumas medidas:

  • Alertas na embalagem: a embalagem da finasterida hoje traz avisos sobre possíveis efeitos colaterais psiquiátricos e sexuais.
  • Cartões de informação ao paciente: em algumas regiões, os pacientes recebem cartões que apresentam os riscos associados à finasterida.
  • Orientações para quem prescreve: agências como a MHRA recomendam que os profissionais de saúde avaliem o histórico de saúde mental antes de prescrever a finasterida e acompanhem de perto os sintomas durante o uso.

Pesar riscos e benefícios da finasterida

Apesar desses riscos, a finasterida segue sendo uma opção eficaz para muitas pessoas, principalmente quem tem queda de cabelo acentuada ou problemas de próstata. Para algumas, os benefícios podem superar os riscos; outras vão preferir buscar tratamentos alternativos. Conversar abertamente com um profissional de saúde é essencial para decidir com informação, de acordo com as suas prioridades de saúde.

Alternativas à finasterida

Se os riscos da finasterida preocupam você, existem tratamentos alternativos tanto para a queda de cabelo quanto para a HPB:

  • Minoxidil: tratamento tópico para queda de cabelo, vendido sem receita, que não altera os níveis hormonais.
  • Transplante capilar: solução permanente para a queda de cabelo, embora seja uma opção mais invasiva e cara.
  • Suplementos à base de plantas: alguns tratamentos fitoterápicos, como o saw palmetto, prometem ajudar na saúde do cabelo, mas as evidências são limitadas.

Vale conversar sobre essas alternativas com um profissional de saúde para ter certeza de que elas servem para o seu caso.

Conclusão: a finasterida é segura?

A finasterida é um medicamento potente e eficaz para a queda de cabelo e para a HPB, mas tem um perfil de risco que exige avaliação cuidadosa. Para algumas pessoas, os benefícios justificam os riscos; para outras, a possibilidade de efeitos colaterais duradouros pesa demais. Quem pensa em tomar finasterida deveria discutir a fundo riscos e benefícios com um profissional de saúde e prestar atenção a qualquer sintoma. No fim, sua saúde e seu bem-estar vêm em primeiro lugar, e decidir com informação é o que importa.

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